Vivemos em um mundo competitivo, atribulado, onde a arte do diálogo parece que foi assassinada, todo mundo se tornou estranho, poucos se cumprimentam, poucos param para trocar ideias, poucos querem compartilhar suas vitórias e seus dramas.
E, por incrível que pareça, muitos caem nessa competitividade em busca de algo que se alcança de maneira simples; a “felicidade” que precisa ser garimpada como ouro, não no terreno do consumismo, mas no fértil terreno de nossa mente.
Infelizmente, foi nos passada a triste ideia de que para ser feliz é preciso possuir dinheiro, bens, fama, e não se diz que o único lugar em que devemos ser realmente ricos é dentro de nós. Tanto que podemos facilmente encontrar pobres vivendo em mansões, ou até mesmo viajando em cruzeiros pelos oceanos, e ricos morando em favelas.
Falo de verdadeira felicidade, aquela que não depende do status social, de um diploma, de um título, mas daquela que consegue extrair grandes maravilhas das pequenas coisas, como, por exemplo, de uma humilde flor, de um pássaro que canta ou de um sorriso de uma criança.
Sábio e feliz é quem percebe a assinatura de Deus na natureza, num abraço apertado, num sorriso ou num gesto de solidariedade. Fomos criados à imagem e semelhança do Criador, portanto, nossa meta é de fato vivermos felizes, embora hajam sempre dificuldades no caminho, que sempre devem ser usados como trampolim para alçarmos voos mais altos. O Mestre de Nazaré viveu rodeado de problemas, perseguido por um tirano aos 2 anos de idade, trabalhou pesado como carpinteiro e, no entanto, quando abriu sua boca para falar ao mundo, nunca se viu alguém tão sereno e calmo, a ponto de convidar as pessoas a beberem da sua felicidade.
Jesus Cristo nos ensinou que não devemos pedir coisas a Deus para amarmos a vida, pois Ele já nos deu a vida para amarmos todas as coisas. Talvez hoje você possa estar reclamando de muitos problemas, seja do tipo carro na oficina, limite bancário estourado, dívidas se acumulando diante do consumismo a que estamos acostumados, mas pense, foram exatamente essas coisas que falaram que iam fazer você feliz não é verdade?
Realmente, imaginou-se que os avanços da medicina aliado ao conforto trazido pela tecnologia avançada, fariam de nós a geração mais feliz da história. Triste engano. Avançaram muito do lado de fora, mas investiram pouco do lado de dentro, ou seja, esqueceram de investir na qualidade de vida de cada ser humando analizando quais comportamentos realmente nos tornam felizes ou tristes.
Conseguiram estudar o átomo, dividi-lo para estudá-lo, mas o cérebro humano ainda é um grande mistério a ser desvendado. Enfim, para a ciência, a felicidade ainda não foi alcançada mesmo com os seus avanços, e, se considerarmos que ela está nas coisas simples, dificilmente será alcançada, pois muitos dos que a buscam com suas pesquisas são os primeiros a darem sinais de irritação.
Podemos começar com gestos simples, como, por exemplo, respeitando os seres vivos, especialmente os mais indefesos, dar mais atenção aos familiares do que aos personagens da TV, inspirar-se no canto dos pássaros pela manhã entoando um hino ao criador, embora amanheçam com seus ninhos destruídos e filhotes mortos pelo temporal da noite que passou. Que tal se, ao entrarmos no elevador, ao invés de fixarmos nossos olhares no andar em que vamos parar, estabelecermos um curto diálogo com quem está ao nosso redor, para que compreendamos que não somos estranhos, mas seres humanos filhos de um só Deus.
Quem sabe ao terminar de ler esse texto você possa dar um abraço apertado em seu filho que já faz tempo que não o faz. Ou mesmo dizer à sua esposa que ela está linda, ou dizer ao seu marido que ele é o melhor do mundo.
São pequenos gestos, simples olhares, contemplação da natureza que as janelas da nossa mente poderão estar construindo serenamente a felicildade tão almejada.

