Criciúma
Uma operação do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu três pessoas e cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Criciúma ontem. Entre os detidos na ação estão o sócio-proprietário, Rogério Cizeski, e o diretor financeiro da Criciúma Construções. Além deles, o um empresário do ramo de supermercados também foi preso.
A ação dá continuidade às investigações iniciadas em maio do ano passado para apurar práticas criminosas na administração da construtora. O órgão identificou 8,8 mil consumidores de várias regiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul lesados pela empresa. Conforme a investigação, a construtora não cumpriu os prazos de entrega dos imóveis que vendeu.
Os mandados foram realizados em cinco residências e um supermercado de Criciúma, uma empresa em Morro da Fumaça, e na sede da construtora em Içara. Todos foram deferidos pela juíza da 1ª Vara Criminal da Cidade Carbonífera.
Até o momento as investigações indicam a prática de diversas infrações penais, entre elas venda de apartamentos sem a prévia incorporação imobiliária, estelionato, parcelamento irregular do solo urbano, falsidade ideológica, fraude processual, ocultação de bens provenientes de infração penal e crimes falimentares.
Os três suspeitos devem ficar detidos por cinco dias para prestar esclarecimentos. Os responsáveis pela operação não passaram mais detalhes. Conforme o MP, as investigações continuam para identificar outras pessoas envolvidas.
O Notisul tentou contato com a empresa, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. As equipes do Gaeco de Criciúma receberam apoio de Lages, Itajaí e Florianópolis.
Entenda o caso
Em maio de 2014, o Ministério Público instaurou inquérito civil e procedimento investigatório criminal para apurar atos em tese ilícitos praticados na administração de grande empresa de construção civil que, na época, estava inadimplente com 8,8 mil consumidores de várias regiões de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, uma vez que os empreendimentos lançados e comercializados por ela estavam todos atrasados ou paralisados.
A partir dessa apuração, o Ministério Público ajuizou 28 ações civis públicas que visa proteger os direitos dos milhares de consumidores lesados. Dessas ações, 17 foram ajuizadas na Comarca de Criciúma, um em Forquilhinha, duas em Chapecó, sete em Jaraguá do Sul e uma em Joinville.

