
Florianópolis
O Brasil tem a maior tarifa de energia mundial, uma média de R$ 274 (com os mais de 20 impostos embutidos) por megawatt/hora. “Não é o mundo que está errado. Somos nós. O custo da energia impacta em tudo no Brasil. No comércio, nos serviços, na indústria e no bolso das famílias”, afirmou o engenheiro eletrotécnico Gerson Sampaio. Ele ministrou o workshop “Redução de Custos em Energia Elétrica no Comércio e Serviços” para uma plateia formada por empresários, gestores, gerentes de manutenção e profissionais de operação de empresas da Grande Florianópolis, no auditório da Fecomércio.
Conforme o engenheiro, para reduzir o custo da energia elétrica, as empresas podem (e devem) adotar medidas simples, cuja eficácia pode se traduzir em uma economia de 30% dos gastos na conta de luz. A primeira delas é monitorar a própria conta de luz. “Ao menos 40% dos medidores estão errados, pois há muito tempo não são aferidos. Se você observar a conta e verificar que sua empresa paga mais de 40 centavos por kilowatt/hora, algo está errado”, disse.
Sampaio também recomendou aos empresários para prestarem atenção à capacidade correta de motores elétricos, separar a conta em áreas de controle, a substituição do gás refrigerante R22 em seus sistemas de refrigeração (principalmente os supermercados), promoverem a medição e o estabelecimento de metas de economia em todos os painéis (com gráficos de consumo específicos para cada ambiente), colocação de sensores e automação de ramais, treinamento operacional e substituição de lâmpadas (uso de LEDs).
Impostos
De acordo com Sampaio, o elevado custo da energia no Brasil se explica pelo acúmulo absurdo de impostos embutidos na conta (52% do total são tributos). A média mundial de impostos é 4%. O segundo país que mais taxa a energia elétrica é a Turquia, com 16%. “São 21 impostos na conta. Aqui, se paga IPTU, INSS, Cofins e até IPI, e a energia elétrica é um serviço, não é uma mercadoria, não é um produto industrializado”, afirmou. O engenheiro acrescentou que, apesar desse custo elevado, a qualidade da energia caiu consideravelmente nos últimos anos, enquanto o rombo do setor elétrico chega a R$ 120 bilhões.
Investimentos
O engenheiro também sugeriu investimentos em fontes alternativas de iluminação (como luz solar zenital) e de energia (pequenos geradores eólicos, capazes de fornecer de 1 a 80 kilowatts, e energia solar fotovoltaica, cujos painéis caíram um terço do preço em cinco anos e o investimento é amortizado em quatro anos).