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Ensino pela atitude (2)

Segundo o Instituto Euvaldo Lodi (publicado no jornal DC em 2/05/10), “80% das rescisões contratuais de estagiários são feitas por falta de comportamentos profissionais”.

Os novos trabalhadores, ainda segundo o IEL, em geral, chegam atrasados ao trabalho, mentem, não respeitam hierarquia, mostram pouca flexibilidade, fazem uso abusivo da internet, de redes de relacionamentos, mantêm conversas paralelas durante o expediente, usam o telefone da empresa para conversas pessoais, brincam fora de hora, não sabem trabalhar em equipe e não respeitam os colegas de trabalhos.

Nossos alunos que vêm amargando, em teste internacional (PISA), os piores desempenhos em matemática, ciência e leitura, mantêm o fiasco também quando se trata de comportamento no local de trabalho.

Estes fatos dimensionam o quanto a sociedade, principalmente a família e a escola, estão fracassando na preparação das futuras gerações. A família precisa retomar a disciplina, e a escola, ensinar e avaliar, além dos conteúdos técnicos, as atitudes, os hábitos, as práticas educativas, o amor à Pátria e ao próximo.

Duas iniciativas nesta direção merecem destaque. A Unesco (órgão da ONU para a educação e cultura) enunciou os quatro pilares que devem sustentar a educação (aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser aprender a conviver), e o Conselho Estadual de Educação de Santa de Catarina, através da resolução n° 158/08, reinseriu as atitudes e os valores na apreciação dos aspectos qualitativos da aprendizagem. Ambas encontram dificuldades para a implementação.

Para contribuir com esta importantíssima tarefa, elaboramos e publicamos, neste espaço, o texto ensino pela atitude, composto de 15 regras consideradas fundamentais para o bom andamento da aula e para formação integral dos alunos e, posteriormente, sugerimos instrumentos que permitem avaliá-las. Sem desconsiderar, evidentemente, a responsabilidade das famílias.

Somente uma tomada de posição conjunta entre famílias e setores educacionais, principalmente as escolas que estão na ponta do processo, reverterá este lamentável quadro. Do contrário, o despreparo para a vida e para o mercado de trabalho se agigantará, comprometendo irremediavelmente o futuro do Brasil e dos brasileiros, em que pese o ufanismo atual.

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