Início Geral Entidades pedem ao STF suspensão da MP que proíbe bets

Entidades pedem ao STF suspensão da MP que proíbe bets

Duas entidades que representam empresas do setor de apostas acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (28) para pedir a suspensão da medida provisória que proibiu as bets no Brasil. A ANJL e o IBJR questionam a interrupção do mercado regulado e pedem a manutenção das regras anteriores até uma decisão definitiva.

O pedido foi direcionado ao ministro Luiz Fux, relator de ações relacionadas ao tema na Corte. As entidades alegam, entre outros pontos, falta de demonstração de urgência para a edição da medida e possíveis impactos econômicos da interrupção.

Entidades questionam medida do governo

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) sustentam que a mudança interrompe de forma imediata um mercado que havia sido regulamentado pelo poder público.

Segundo as entidades, empresas autorizadas investiram recursos para obter licenças e cumprir exigências de operação, governança e controle.

As associações também questionam a ausência de estimativas sobre os impactos orçamentários e financeiros da medida.

Entre os pontos levantados estão possíveis efeitos sobre a arrecadação de impostos, o financiamento de políticas públicas e os empregos formais ligados ao setor.

As alegações fazem parte do pedido apresentado ao STF e ainda serão analisadas pela Corte.

O que diz a medida provisória

A MP nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe no território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade de loterias de apostas de quota fixa. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive operações realizadas por empresas sediadas no exterior para pessoas no Brasil.

A medida também determina a extinção das concessões, permissões e autorizações estaduais e distritais relacionadas às apostas de quota fixa. As demais modalidades de loterias autorizadas por lei não são abrangidas pela proibição.

O governo estabeleceu um cronograma para a retirada do setor. Segundo o Ministério da Saúde, os apostadores têm até 5 de outubro para retirar valores remanescentes. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.

Setor aponta risco de mercado clandestino

No pedido ao STF, as entidades também afirmam que a interrupção do mercado regulado pode levar parte dos apostadores para plataformas clandestinas.

Esse argumento é apresentado pelas associações como um dos possíveis efeitos da proibição. O governo, por outro lado, afirma que pretende ampliar a fiscalização e o bloqueio de sites ilegais.

O Ministério da Justiça informou que haverá atuação conjunta de diferentes órgãos para combater a oferta ilegal de apostas. A estrutura envolve, entre outros, Polícia Federal, Banco Central, Ministério da Fazenda, Receita Federal, AGU e Anatel.

A MP também criou um comitê interinstitucional voltado à fiscalização e ao combate à exploração e à publicidade ilegal de apostas de quota fixa.

Governo pediu prazo para se manifestar

Em outra frente, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao STF prazo de 72 horas para que a Presidência da República e a própria AGU possam se manifestar sobre o pedido das entidades.

A solicitação busca garantir a manifestação do governo antes de eventual decisão sobre a suspensão da medida.

Até o momento considerado nesta reportagem, o pedido das entidades ainda aguardava análise do STF.

Sair da versão mobile