Para quem acompanha astrologia de perto, talvez já tenha lido sobre isso. Eu sou leiga no assunto, mas resolvi escrever minha primeira crônica do ano a partir de uma mensagem que recebi nesta semana e que despertou meu interesse. Apesar de curta, ela falava sobre um novo ciclo, iniciado no dia primeiro, que será guiado pelo Cavalo de Fogo, segundo o horóscopo chinês — uma combinação associada a movimento, energia intensa, entusiasmo e grandes transformações.
Segundo o texto, entramos em um tempo de reinicialização: o início de um novo ciclo de nove anos.
2026 deverá ser um ano de escolhas conscientes, de recomeços e novas direções.
A mensagem falava de movimento, de ação que dissolve a hesitação, de uma vida que ganha velocidade.
Falava também que não se trata de pressa, mas de alinhamento, coragem e ação com propósito.
Li e reli. E algo em mim se moveu — não para frente, mas para dentro.
Percebi que, nos últimos anos, apliquei em minha vida uma velocidade acima do permitido. Corri quando precisava caminhar, acelerei quando o corpo pedia pausa. Esse excesso de movimento me trouxe riscos, prejuízos e, sobretudo, cobrou um preço alto da minha saúde.
Houve momentos, nesses dois últimos anos, em que deixei de acreditar em mim.
Passei a atribuir ao outro um valor maior do que o meu. Talvez por baixa autoestima ou pela educação rígida que recebi, ensinando a não confrontar, não brigar, não ousar, não se rebelar quando uma situação trazia desconforto. Aprendi cedo a engolir, a silenciar, a seguir — mesmo quando o coração pedia outro caminho.
A mensagem me tocou porque eu já vinha tentando, e até conseguindo, ser mais assertiva. Ainda assim, ao lê-la, me peguei fazendo um inventário silencioso:
quantos “sins” eu disse no último ano quando, educada e suavemente, deveria ter dito “não”?
Também me tocou porque me vi no retrato do cansaço. Trabalhei até o dia 22 de dezembro. Não montei minha árvore como de costume, não comprei lembrancinhas, não fui ao supermercado com calma. Não caminhei à noite para apreciar as luzes e vitrines, não limpei a casa como ritual de fechamento, não organizei o escritório para um pequeno recesso. Não escrevi mensagens de Natal e de final de ano, não preparei a ceia como gostaria, não organizei o réveillon e não agradeci parceiros como mereciam.
As coisas foram ficando na espera da espera. E o movimento desmedido acabou subvertendo meus próprios desejos.
As festas chegaram sem fotos, sem celebrações e sem energia. Mas chegaram, mais uma vez, com esperança.
A esperança de que, no ano que se anuncia, eu consiga reorganizar a vida. De que eu escolha um movimento mais prazeroso, mais saudável e com menos cobranças pelos meus próprios atropelos.
A mensagem que fala em velocidade também chamou minha atenção porque tive a impressão de que não estou sozinha. Muitas pessoas me confidenciaram a sensação de que este ano foi excessivamente corrido, especialmente no segundo semestre, quando os ponteiros desordenados pareceram correr sem controle, deixando em nós essa sensação coletiva de esgotamento.
Talvez o Cavalo de Fogo não nos peça para correr mais.
Talvez nos convide a alinhar passos e intenções.
Desejo que, em 2026, consigamos ser mais assertivos para que caibam, finalmente, em nosso dia-a-dia, os pequenos prazeres. Eu, por exemplo, desejo enfrentar aquele que mais me desafia — e que tanto me custa — o prazer simples e profundo de não fazer nada.
E, quem sabe, aí sim, a vida passe a ganhar ainda mais sentido.
Não pela velocidade, mas pela presença.
Nos encontramos nas próximas linhas.
