quarta-feira, 28 janeiro , 2026

Entrevista – Altair Silva, Deputado Estadual e presidente da Comissão de Agricultura da Alesc

“A cadeia do leite sustenta milhares de famílias. Se não for feito nada agora, perderemos o futuro do campo”

Já não é de hoje que os produtores de leite vêm amargando a pouca rentabilidade do produto. Nos últimos meses, o preço pago ao produtor despencou de cerca de R$ 2,40 para menos de R$ 1,80 por litro, valor que não cobre os custos de produção, e esta crise é ocasionada por uma série de fatores. Na Alesc, o problema vem pautando o trabalho dos parlamentares.

A Coluna conversou com o deputado Altair Silva, que é presidente da Comissão de Agricultura da Alesc e está à frente de alguns projetos que têm como objetivo a resolução destes problemas. Confira:

 

Pelo Estado – Deputado, o senhor tem uma forte ligação com o agronegócio e uma defesa histórica dos produtores rurais. Quais marcas o senhor destaca dessa caminhada?

Altair Silva – Minha trajetória sempre teve o agro como base. Nasci na agricultura, me formei técnico agrícola e segui me especializando nessa área. Ao longo da vida pública, trabalhei para incentivar a inovação, fortalecer o produtor e garantir oportunidades para que o jovem permaneça no campo.

Como secretário da Agricultura, estruturamos programas de Estado que continuam até hoje, como o fomento agropecuário, ações de defesa e avanços no Terra Boa, além de uma grande entrega de maquinários aos municípios. Hoje, sigo atuando com firmeza, com atenção especial à cadeia produtiva do leite, que enfrenta uma crise profunda e precisa de respostas urgentes.

 

 

Pelo Estado – Santa Catarina enfrenta um período desafiador com a crise do leite. Como o senhor avalia esse momento?

Altair Silva – É um momento muito delicado. Estamos diante de uma das maiores crises da história do setor, resultado do aumento dos custos, da queda no preço pago ao produtor, da alta carga tributária sobre o leite e seus insumos, do excesso de importações e da falta de uma política nacional consistente. O produtor catarinense é eficiente, mas compete com produtos subsidiados, com indícios de dumping, além da prática do leite em pó reconstituído sendo vendido como leite fluido.

 

 

Pelo Estado – Quais ações o senhor tem defendido para enfrentar essa crise?

Altair Silva – Tenho defendido um conjunto de ações práticas e urgentes para enfrentar essa crise. Apresentei na Assembleia Legislativa um projeto de lei que proíbe e impõe sanções às empresas que reidratarem o leite em pó para vender como leite fluido. Essa iniciativa já foi aprovada no Paraná, apresentada no Rio Grande do Sul e uma proposta de mesmo teor está em tramitação na Câmara Federal. Também defendo a redução da carga tributária sobre o setor, o reforço na fiscalização das importações para combater o dumping e a valorização da produção nacional, garantindo, por exemplo, que o leite esteja presente nas escolas e nas cestas básicas.

 

 

Pelo Estado – O senhor também tem atuação destacada em temas como sanidade animal e melhoramento genético. Quais avanços o Estado pode esperar?

Altair Silva – Santa Catarina é referência em sanidade animal graças ao trabalho sólido de instituições como a Cidasc, o Icasa e a Embrapa. Somos livres de febre aftosa e peste suína clássica, mantemos vigilância permanente contra a gripe aviária e já atendemos aos mercados internacionais mais rigorosos. Além disso, os avanços em melhoramento genético têm sido determinantes para o crescimento do nosso agro. No leite, por exemplo, mesmo com a redução no número de produtores, alcançamos recordes de produtividade graças a pesquisas e tecnologia. Também avançamos no melhoramento genético da soja, do trigo e do milho, desenvolvendo plantas mais resistentes às adversidades climáticas e a pragas como a cigarrinha do milho.

Todo esse conjunto amplia nossa competitividade, abre novos mercados e garante que Santa Catarina continue crescendo e se destacando no cenário nacional e internacional.

 

 

Pelo Estado – O Oeste de Santa Catarina depende muito da cadeia do leite. Como o senhor enxerga o futuro dessa região?

Altair Silva – É inevitável que percamos alguns produtores, porque o setor leiteiro enfrenta crises recorrentes e muitos acabam migrando para atividades mais estáveis, como suínos e aves. Ainda assim, o Oeste é a principal bacia leiteira de Santa Catarina e continuará sendo uma referência. Para garantir esse futuro, porém, precisamos de mudanças urgentes: criar condições para que o produtor saia do vermelho, tenha ânimo para continuar, consiga renegociar suas dívidas e volte a investir e aumentar a produtividade. O potencial da região é enorme, mas depende de ações concretas para que o leite siga sendo uma atividade viável.

 

Pelo Estado – O senhor é conhecido por estar presente nas comunidades e ouvir os produtores. Por que essa agenda é tão importante para o senhor?

Altair Silva – Faço questão de estar nos pequenos municípios para aproximar o produtor do Poder Público, facilitar o acesso a serviços e garantir que suas demandas sejam ouvidas e sanadas. A maioria dessas cidades depende diretamente do agronegócio, por isso é ali que se sente com mais força o impacto das decisões públicas. Santa Catarina, mesmo com apenas 1% do território brasileiro, está entre os maiores produtores do país. Nossos agricultores não têm finais de semana, feriado ou férias e são os primeiros a sofrer com mudanças climáticas, oscilações de mercado e outras pressões. O agro representa 65% das nossas exportações: se o agro quebra, Santa Catarina inteira sente. Por isso estou presente, olho nos olhos dos produtores e levo suas pautas para o debate público. E é assim que podemos encontrar soluções reais.

 

 

Pelo Estado – Para encerrar, qual é a sua mensagem aos catarinenses que acompanham seu trabalho?

Altair Silva – Quero dizer que sigo firme na defesa do nosso estado e dos nossos municípios, buscando garantir saúde e infraestrutura de qualidade, além de defender diariamente nosso agricultor, que é tão importante para Santa Catarina. A agricultura é a força que sustenta o nosso Estado, e meu compromisso é lutar para que cada produtor tenha dignidade, renda e oportunidades. Seguiremos na estrada, com trabalho, diálogo e coragem para enfrentar os desafios que virão.

 

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