“Depois da eleição, não existem adversários, existem cidadãos que esperam resultados”
Gelson Merísio é o candidato do PSB ao governo de Santa Catarina nas Eleições 2026 ao lado de Ângela Albino (PDT), como candidata a vice-governadora.
Empresário e ex-deputado estadual, Merísio presidiu a Alesc por dois mandatos e disputa, pela segunda vez, o governo de Santa Catarina. Em 2018, chegou ao 2º turno, mas foi derrotado por Carlos Moisés (PSL).
Pelo Estado – Quais são suas três prioridades para Santa Catarina? Seriam essas que o senhor considera os pontos mais críticos do Estado?
Gelson Merísio – Saúde, educação e segurança pública. Considero essas as áreas mais críticas porque impactam diretamente a vida das pessoas e, infelizmente, foram as que mais retrocederam nos últimos anos. Hoje, Santa Catarina tem cerca de 116 mil cirurgias pendentes. Na educação, Santa Catarina tem o quarto pior salário inicial para professores do Brasil. Não há valorização da carreira. A diferença salarial entre um professor em início de carreira e um prestes a se aposentar é inferior a 3%. Os indicadores educacionais são incompatíveis com um estado que possui capacidade financeira. Se antes o problema era falta de recursos para pagar a folha, hoje o que falta são políticas públicas que valorizem o magistério. Cerca de dois terços dos professores são temporários, o que compromete a continuidade do ensino e a qualidade da educação. O Estado ocupa apenas a 10ª posição no Ideb, menos de 5% dos jovens estão matriculados em escolas profissionalizantes e Santa Catarina caiu da 6ª para a 23ª posição no indicador de alunos na idade correta de escolarização. Isso é reflexo da desvalorização dos profissionais da educação. Na segurança pública, o principal desafio é a falta de efetivo. Temos uma polícia altamente qualificada, que exerce papel fundamental nos bons indicadores do Estado, mas nenhum profissional faz milagres. Hoje há menos policiais militares e civis do que havia há dez anos, enquanto a população cresceu significativamente. Essa conta não fecha. Nossa proposta é recompor rapidamente parte desse efetivo, abrindo vagas em concursos públicos e promovendo chamamento de policiais inativos que ainda tenham condições e disponibilidade para retornar à atividade.
Pelo Estado – Como pretende melhorar a saúde pública e reduzir o tempo de espera por consultas e cirurgias?
Gelson Merísio – Precisamos abandonar a lógica de concentrar os atendimentos em poucos centros. Hoje falta investimento em saúde especializada no interior do Estado. Muitas pessoas precisam sair do Extremo Oeste para realizar procedimentos de baixa e média complexidade na Capital, o que sobrecarrega os grandes hospitais e dificulta o acesso. Nossa proposta é implantar Centros Regionais de Especialidades nas 16 regiões de saúde, oferecendo consultas, exames e procedimentos de média complexidade próximos da população. Isso desafogará os grandes centros e reduzirá o tempo de espera. Também vamos ampliar o uso da telessaúde para apoiar os médicos da Atenção Primária e reduzir encaminhamentos desnecessários. Além disso, vamos investir em tecnologia. Não é aceitável que, em 2026, pacientes ainda deixem de comparecer a consultas e exames por falta de comunicação. Pretendemos implantar um sistema de notificações por aplicativo para lembrar os pacientes com antecedência e facilitar a organização dos atendimentos.
Pelo Estado – Quais são suas propostas para a segurança pública?
Gelson Merisio – Precisamos colocar mais policiais nas ruas. Um estado com mais de 8 milhões de habitantes não pode contar com pouco menos de 10 mil policiais militares em atividade. Santa Catarina possui o menor efetivo proporcional do país. Temos uma polícia altamente qualificada, mas é preciso oferecer melhores condições de trabalho e ampliar o efetivo. Também precisamos enfrentar o déficit do sistema prisional. Hoje as unidades prisionais operam com ocupação em torno de 133% da capacidade. Nossa meta é criar pelo menos 6.500 novas vagas para eliminar a superlotação e fortalecer o sistema penitenciário.
Pelo Estado – E para a economia catarinense?
Gelson Merisio – Santa Catarina possui uma das economias mais dinâmicas do Brasil e ocupa a sexta posição entre as economias estaduais. No entanto, enfrentamos desafios logísticos que comprometem nossa competitividade. Somos excessivamente dependentes do transporte rodoviário, que enfrenta gargalos históricos. A baixa qualidade das rodovias estaduais gera prejuízos significativos ao setor produtivo. Também é necessário reconstruir o diálogo institucional com o governo federal. Independentemente das diferenças políticas, o governador deve buscar parcerias para garantir investimentos em obras estruturantes. Um Estado que não dialoga perde oportunidades e prejudica sua população e sua economia.
Pelo Estado – O que seu governo fará para melhorar a infraestrutura das rodovias estaduais?
Gelson Merísio – Precisamos deixar de anunciar projetos que não saem do papel e priorizar obras estruturantes, com ampliação da capacidade das rodovias. Santa Catarina já demonstrou no passado que é possível transformar sua infraestrutura. Muitas rodovias estaduais que antes eram de chão batido foram pavimentadas e impulsionaram o desenvolvimento regional. Hoje, muitas vezes, obras de manutenção são apresentadas como grandes investimentos, quando, na verdade, representam apenas o mínimo esperado. O Estado cresceu, a frota de veículos aumentou de forma expressiva e a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. Não é possível manter rodovias de pista simples em trechos onde o volume de veículos mais do que dobrou.
Pelo Estado – Quais medidas pretende adotar para fortalecer a educação básica e valorizar os professores?
Gelson Merisio – Durante muito tempo, Santa Catarina enfrentou dificuldades financeiras para manter sua folha de pagamento. Hoje essa realidade mudou. A arrecadação cresceu significativamente e o problema deixou de ser falta de recursos. O que falta são políticas públicas de valorização do magistério. Um dos estados mais ricos do país não pode pagar o quarto pior salário inicial aos seus professores. Também precisamos ampliar o quadro efetivo. Hoje cerca de dois terços dos professores são temporários, situação que compromete a continuidade pedagógica e a valorização da carreira. Nossa proposta inclui ampliar a educação em tempo integral e expandir significativamente a oferta de ensino profissionalizante. Atualmente, menos de 5% dos jovens estudam em escolas voltadas à formação para o mercado de trabalho. Santa Catarina tem todas as condições de se tornar referência nacional em educação, desde que faça da valorização dos professores uma prioridade.
Pelo Estado – O senhor pretende promover alguma reforma administrativa? E como seria? Gelson Merisio – Pretendemos reduzir o tamanho da máquina pública, reorganizando a estrutura do governo para trabalhar com aproximadamente dez secretarias. O objetivo é concentrar recursos nas áreas essenciais, como saúde, educação e segurança pública, oferecendo serviços mais eficientes para a população. Também queremos formar um governo técnico e plural, com pelo menos metade do secretariado composto por mulheres. Santa Catarina foi construída com a contribuição de grandes lideranças femininas, e essa representatividade precisa estar presente também na administração pública.
Pelo Estado – Como pretende fortalecer a relação entre o governo estadual e os municípios?
Gelson Merísio – Fui deputado estadual por 15 anos e presidente da Assembleia Legislativa em duas oportunidades. Ao longo desse período, construí uma relação de diálogo com prefeitos e lideranças de todas as regiões, independentemente de partido político. O governador precisa compreender que é nos municípios que os problemas da população aparecem primeiro. As prefeituras são a porta de entrada dos serviços públicos e precisam ser fortalecidas. Quanto mais estrutura e apoio tiverem, mais rapidamente conseguiremos resolver os problemas das pessoas.
Pelo Estado – Qual compromisso o senhor assume hoje com os catarinenses caso seja eleito?
Gelson Merísio – Assumo o compromisso de governar para todos os catarinenses. Depois da eleição, não existem adversários, existem cidadãos que esperam resultados. Meu governo manterá diálogo com todos os prefeitos, parlamentares e lideranças, independentemente de partido ou posição política. O papel do governador não é governar para grupos, mas para os mais de 8 milhões de catarinenses. Quero ser o governador do diálogo, da união e da construção de soluções. Santa Catarina é um estado formado por pessoas trabalhadoras e honestas, e essa deve ser a marca da nossa gestão.

