domingo, 15 fevereiro , 2026

Entrevista – Geraldo Luiz de Oliveira e Silva, economista

“A perda do Brasil como parceiro comercial teria menos impacto para os EUA do que o contrário”

O recém empossado presidente dos EUA, Donald Trump, vem tomando uma série de medidas polêmicas que geraram apreensão e uma série de discussões em torno do que poderá acontecer com a economia mundial a partir de seus decretos. A Coluna conversou com o economista Geraldo Luiz de Oliveira Silva, que é mestre em Administração pela UNIVALI, para entender qual o impacto as ações de Trump trarão para o Brasil e o restante do mundo. Confira:

Pelo Estado – Como o senhor avalia a nova política econômica que o recém-empossado presidente dos EUA, Donald Trump, pretende adotar no país?
Geraldo Luiz – Percebe-se que a nova política econômica do presidente Donald Trump está direcionada às questões protecionistas, ou seja, voltadas à soberania americana. Essa vocação demonstrada até o momento, é perceptível quando se trata das tarifas sobre produtos estrangeiros e a pressão para reduzir a taxa de juros. Suas principais propostas incluem a imposição de tarifas elevadas especialmente para países como China, México, Canadá, Brasil, Índia e membros do BRICS.
Acredito que o “X” da questão está ainda por vir, pois, a disputa comercial e tarifária com a China, principal parceiro comercial, tem tudo para desestabilizar o mercado mundial.

Pelo Estado – Das imposições prometidas por ele, qual o senhor considera a mais drástica delas?
Geraldo Luiz – Acredito que seja a imposição de tarifas sobre os produtos importados. Vale lembrar que essas medidas poderão gerar discussões acaloradas entre os países exportadores e com os consumidores e empresas americanas. É importante frisar que essas discussões sobre as tarifas têm gerado atritos com parceiros comerciais e podem levar a retaliações, enfraquecendo acordos de cooperação internacional.

Pelo Estado – O senhor poderia nos explicar qual o impacto na economia da política de deportação de imigrantes para o país e como isso poderia afetar o resto do mundo?
Geraldo Luiz – A deportação em larga escala desses trabalhadores pode gerar um problema relacionado a mão de obra, haja vista, o país ter em larga escala nas atividades secundárias, trabalhadores imigrantes. A deportação desses imigrantes criará lacunas difíceis de preencher, já que muitos desses empregos não atraem trabalhadores locais. Acredito que o maior problema relacionado ao resto do mundo, será mais contundente em países como México, China, Índia, Filipinas, El Salvador e Brasil que possuem parcerias comerciais relevantes, e essas deportações podem gerar discussões diplomáticas. Além dessas questões, deportações em massa podem gerar crises nos países de origem, já que esses países podem não ter infraestrutura econômica ou social para reintegrar os deportados. Outro fator que poderá impactar nessa decisão refere-se aos deportados que poderão buscar refúgio em outras nações, criando uma onda migratória, especialmente para países europeus e sul-americanos.

Pelo Estado – Sobre as taxações prometidas a produtos de outros países, especialmente os chineses, de que forma ela poderia vir a ser benéfica para o Brasil?
Geraldo Luiz – Especificamente no setor agrícola, o Brasil poderá se beneficiar com a elevação das taxas junto a China, haja vista, o impacto que será sentido e que, consequentemente, reduzirá a circulação de produtos chineses naquele país. Com os produtos chineses se tornando mais caros devido às tarifas, os produtos brasileiros podem ganhar espaço no mercado americano, especialmente em setores onde Brasil e China competem, tipo: agronegócio e mineração. Importante acrescentar que as questões diplomáticas entre, EUA e Brasil, deverão ser conduzidas de formas que não gerem retaliações por parte do Governo Americano.

Pelo Estado – Com a elevação das taxas aos produtos, quais seriam as alternativas para os chineses?
Geraldo Luiz – Há de se considerar que a China tem se expandido em diversos países além dos EUA e essa relação deverá se intensificar, principalmente, em países como Japão, Hong Kong, Coréia do Sul, União Europeia que se destacam nas parcerias comerciais, além das relações mantidas com os americanos. A diversificação de mercados deverá ser fortalecida e direcionará a China para novos mercados emergentes. A Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), que inclui 15 países da Ásia-Pacífico, pode ser uma plataforma para ampliar exportações chinesas. O Brasil é um parceiro comercial relevante para a China nos setores de produtos eletrônicos, máquinas, reatores nucleares, veículos, ferro e aço, plástico, enfim, há uma significativa parceria com os demais países do mundo que não pode ser desprezada e que, fatalmente, será retroalimentada.

Pelo Estado – Hoje, quem são os maiores importadores dos EUA e em que posição o Brasil está neste ranking?
Geraldo Luiz – Entre os maiores importadores dos EUA destacam-se a China, o México, o Canadá, o Japão e a Alemanha. A China representa cerca de 17% do total importado pelos americanos. No caso do Brasil, apesar de percebermos um fortalecimento nas relações, ocupamos apenas a 27º posição. É importante notar que, apesar de não figurar entre os principais exportadores para os EUA, o Brasil possui uma relação comercial significativa com o país, especialmente em setores como o agronegócio e a mineração. Essa situação deverá ser modificada em breve, para mais ou para menos, dependendo das questões diplomáticas a serem tratadas nos próximos meses ou anos.

Pelo Estado – Recentemente, o presidente Donald Trump afirmou que o Brasil precisa mais dos EUA do que o contrário. A informação procede? Por quê?
Geraldo Luiz – Procede. O Brasil é mais dependente economicamente dos EUA devido à necessidade de acessar seu mercado consumidor, importar produtos de tecnologia avançada e receber investimentos estrangeiros. Basta observarmos a balança comercial entre os dois países. O Brasil, desde 2009, compra mais produtos dos EUA do que vende. Para se ter uma noção atualizada, no ano passado o Brasil importou cerca de US$ 40,5 bilhões em produtos americanos e vendeu US$40,3 bilhões. Aqui já se percebe uma diferença que, mesmo não tão significativa, demonstra uma dependência na variedade de produtos. Há de se pontuar que, dos produtos mais significativos dessa dependência brasileira, estão o petróleo, o gás natural e peças e motores de aviação.
A parceria é benéfica para ambos, porém, a dependência maior é do Brasil em relação aos EUA, ou seja, embora o Brasil seja um parceiro importante, os EUA têm uma economia diversificada, e a perda do Brasil como parceiro comercial teria menos impacto para eles do que o contrário.

 

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