“O melhor termômetro é a população, que me deu uma aprovação recorde”
Em roteiro por todas as regiões do Estado há mais de 60 dias, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), leva ao pé da letra a frase popular que o político precisa gastar sola de sapato. Em sua pré-candidatura ao governo de Santa Catarina, ele tem apostado no contato direto com a população, com lideranças e entrevistas à imprensa de cada cidade. Nesta entrevista, ele destaca que o objetivo das agendas é construir um projeto de governo considerando a situação de cada região. Além disso, fala sobre seus aliados, o exemplo de Chapecó e critica a falta de obras estruturantes no Estado.
Pelo Estado – O senhor abriu mão de uma prefeitura grande, que é a de Chapecó, com uma aprovação de mais de 80%, para concorrer ao governo do Estado. Como foi essa decisão?
João Rodrigues – Não é uma decisão fácil. Deixei uma prefeitura com mais de R$ 300 milhões investidos em banco, guardados, e entregamos mais de R$ 1,9 bilhão em obras, parte concluída e outra em andamento. Hoje somos referência nacional e tenho certeza que vamos continuar sendo. Mas eu me sinto preparado para governar Santa Catarina, que merece muito mais do que é entregue hoje. Essa missão não é só do João Rodrigues, mas de várias lideranças que estão do meu lado.
Pelo Estado – Aproveitando essa questão do sucesso de Chapecó, o senhor deve trazer isso para a campanha, obviamente?
JR – Com certeza. Chapecó é a 16ª prefeitura que mais investe do Brasil entre municípios com mais de 100 mil habitantes, liderando a região Sul. Estamos entre as vinte cidades do país em funcionamento da máquina pública e as que mais geraram emprego na indústria. E tem muitos outros dados que mostram o nosso sucesso. É essa forma de governar que quero apresentar para os catarinenses: a entrega de obras, o cuidado com o dinheiro público, nosso programa para moradores em situação de rua que virou referência nacional. Tudo isso sem aumentar impostos. Para isso tudo tivemos atitude, coragem e liderança para realizar e não só anunciar.
Pelo Estado – E como fazer as pessoas conhecerem o ex-prefeito de Chapecó?
JR – Eu sempre falo em entrevista: ligue para alguém de Chapecó e região e pergunte sobre a cidade, o que fizemos. O melhor termômetro é a população, que me deu uma aprovação recorde. Porém, felizmente, estamos sendo muito bem recebidos por onde passamos. Nosso projeto está crescendo a cada dia e, o melhor, sem imposição.
Pelo Estado – Como avalia a situação financeira do Estado? O que faria diferente caso seja eleito?
JR – Santa Catarina é um estado forte, que arrecada bem, mas pode entregar muito mais. O problema não é falta de dinheiro, é gestão. Em Chapecó mostramos que é possível investir pesado, fazer obras e, ao mesmo tempo, manter as contas equilibradas. É isso que quero levar para o Estado: eficiência, planejamento e compromisso com quem paga impostos.
Pelo Estado – O senhor disse que SC pode entregar muito mais. O que exatamente falta entregar?
JR – Basta olhar para a Defesa Civil. Hoje temos a previsão de um El Niño forte e você vê o medo estampado no rosto das famílias lá do Alto Vale do Itajaí. O próprio Tribunal de Contas apontou que o Estado não executou nem todo o orçamento destinado à prevenção de desastres. Em 2025, apenas 52,37% dos recursos previstos para ações de Defesa Civil foram efetivamente aplicados, e no primeiro quadrimestre deste ano a execução estava em 16,26%.
Pelo Estado – O senhor falou da necessidade de investir mais em infraestrutura. Qual deve ser a prioridade?
JR – A prioridade é fazer o Estado voltar a executar obras estruturantes. Continuar com as obras que estão sendo feitas, mas obras que precisam ser feitas urgentemente, como é o caso da situação da BR-101 em Itajaí. Ali não dá para pensar em algo que só vai ocorrer daqui 15 anos. Temos que criar uma alternativa de curto prazo e também bater na porta do governo federal todos os dias. Vai muito dinheiro nosso pra Brasília, mas volta muito pouco. Vou planejar Santa Catarina para os próximos anos e realizar o que estiver no nosso plano de governo. Eu sou municipalista, quero estar próximo dos municípios, dos prefeitos, vereadores, das pessoas, que é quem sabe bem dos problemas de cada região.
Pelo Estado – A saúde também aparece entre as principais reclamações da população. O que mudaria?
JR – Eu mudaria muita coisa. A fila da saúde bateu um recorde e ultrapassou 117 mil pessoas esperando por procedimentos. Atrás de cada número existe uma pessoa esperando um diagnóstico, uma cirurgia ou a oportunidade de voltar a viver normalmente. A gente vai estabelecer metas, acompanhar os indicadores todos os dias, fortalecer os hospitais, tanto os públicos quanto os filantrópicos, integrar melhor os municípios e cobrar resultados. E, o mais importante, a gente tem que acabar com esse absurdo que é um paciente precisar de um atendimento de especialista e ter que viajar quilômetros para isso.
Pelo Estado – Qual será a marca de um eventual governo João Rodrigues?
JR – Quero que seja um governo de entrega. O cidadão não quer saber quem levou o mérito da obra, quer ver a obra pronta. Quer uma estrada em boas condições, hospital funcionando, escola de qualidade e segurança para viver. Em Chapecó nós mostramos que é possível entregar resultados sem aumentar impostos. É essa cultura de gestão que quero levar para Santa Catarina.
Pelo Estado – Hoje muitas cidades, como Florianópolis e Joinville, vivem com uma população em situação de rua bem grande. E o trabalho que o senhor fez em Chapecó virou referência nacional. Santa Catarina terá algo parecido?
JR – Com certeza. Hoje há muitas cidades que usam o nosso programa como referência, como Balneário Camboriú, Criciúma. Mas hoje os municípios estão isolados, sem uma organização do Estado. A gente vai criar grandes centros afastados da cidade, em área rural, onde essas pessoas terão acesso a uma cama, comida, a tratamento e trabalho. Quem tá copiando o nosso programa está tendo bons resultados.
Pelo Estado – O senhor reuniu nomes de peso para a disputa. O que essa composição representa para o projeto que o senhor quer apresentar a Santa Catarina?
JR – Representa experiência, capacidade de gestão e compromisso com Santa Catarina. O Antídio Lunelli é empresário, deputado estadual e fez uma gestão reconhecida como prefeito de Jaraguá do Sul. Conhece como poucos a realidade de quem empreende, gera empregos e paga impostos. O senador Esperidião Amin, na minha opinião, é o melhor senador do Brasil. É alguém que faz uma oposição séria, apresenta propostas, fiscaliza e defende os interesses dos catarinenses em Brasília. Os dois são os melhores quadros que o catarinense pode ter como pré-candidato ao Senado. E o deputado federal Carlos Chiodini, nosso pré-candidato a vice-governador, também é empresário e tem uma baita experiência no Congresso Nacional, conhece o funcionamento da máquina pública e sabe dialogar. É uma chapa que reúne diferentes experiências, mas que tem o mesmo propósito: fazer Santa Catarina voltar a ser referência em gestão, infraestrutura e qualidade dos serviços públicos.
Pelo Estado – Para encerrar, que mensagem o senhor deixa para o catarinense que ainda está conhecendo o seu trabalho?
JR – Eu peço apenas que as pessoas conheçam a nossa história. Não gosto de vender sonho nem de fazer promessa impossível. Prefiro falar do que já entreguei. O que eu quero é a oportunidade de fazer por Santa Catarina o mesmo trabalho que sempre fiz: governar com coragem, próximo dos municípios, com planejamento e resultado.

