quinta-feira, 24 setembro , 2026

Entrevista – Zé Milton Scheffer, deputado estadual, presidente da Frente Parlamentar da Agricultura e da Câmara Setorial do Arroz 

“Existe um grito silencioso dos nossos produtores de arroz, e esse grito sera cada vez mais forte” 

 

Santa Catarina deu início a uma mobilização em defesa da orizicultura. O deputado estadual Zé Milton Scheffer, presidente da Câmara Setorial do Arroz e uma das vozes mais atuantes no setor agrícola catarinense, lidera a articulação para proteger quem produz. Em entrevista, ele fala sobre a queda no preço do arroz, os riscos da concorrência internacional e as propostas para garantir renda ao produtor. 

 

Pelo Estado – Deputado, por que o senhor decidiu convocar uma reunião com todo o setor do arroz em Criciúma? 

Zé Milton – A situação exige ação. O arroz é um dos pilares da agricultura catarinense, mas o produtor está sofrendo. O preço da saca caiu de R$ 110 para R$ 50, enquanto os custos continuam altos. Chamamos cooperativas, entidades e lideranças para alinhar uma mobilização real, que envolva o Estado, a União e a sociedade. O produtor precisa de respaldo, e o momento é agora. 

 

Pelo Estado – Qual o balanço da reunião? Houve encaminhamentos concretos? 

Zé Milton – Sim. Definimos uma agenda de propostas que começa com a defesa da isenção do ICMS por pelo menos um ano em Santa Catarina. Também discutimos a retomada de políticas federais, como o PEP e o PEPRO, além da revisão do preço mínimo do arroz. Outro ponto importante foi a sugestão de um projeto de lei para garantir arroz catarinense na merenda escolar, valorizando nosso produto local e ajudando a combater a insegurança alimentar. 

 

Pelo Estado – O arroz importado preocupa o setor? 

Zé Milton – Preocupa e muito. O arroz brasileiro enfrenta concorrência desigual. Lá fora, o produto chega com subsídio, e aqui o nosso produtor tem que lidar com juros altos, crédito caro e pouca previsibilidade. Por isso, defendemos rotulagem diferenciada, para que o consumidor saiba se está comprando arroz nacional ou importado. Precisamos proteger a produção local, que gera emprego, renda e alimento de qualidade. 

 

Pelo Estado – Deputado, qual o impacto a crise do arroz tem na vida das famílias catarinenses? 

Zé Milton – Enorme. Estamos falando de milhares de produtores que vivem da orizicultura, especialmente no Sul do Estado, que empregam pessoas, movimentam o comércio local e sustentam comunidades inteiras. Quando o preço despenca ou o mercado é invadido por arroz importado, a renda some, o endividamento aumenta e toda a economia regional sofre. Não é apenas uma questão agrícola, é social, é de sobrevivência para quem faz do arroz seu sustento. 

 

Pelo Estado – E como o senhor enxerga o papel da pesquisa nesse processo? 

Zé Milton – inovação será um divisor de águas. Estamos articulando com a FAPESC para incentivar pesquisas que ajudem a criar novos usos para o arroz, agregando valor e abrindo mercados. O arroz pode estar no pão, na cerveja, na ração animal. É hora de pensar além do grão, e transformar o arroz catarinense em uma potência agroindustrial. 

 

Pelo Estado – O que o produtor pode esperar do seu mandato daqui para frente? 

Zé Milton – Pode esperar presença, escuta e ação. Estou ao lado do setor há muitos anos, conheço de perto a realidade das lavouras e sei o que precisa ser feito. Vamos continuar cobrando do governo federal, apresentando propostas na Assembleia Legislativa e articulando com prefeitos, vereadores e o setor produtivo. Esse movimento é coletivo, e quem vive do campo não está sozinho. 

 

Pelo Estado – O senhor costuma dizer que existe um “grito pelo arroz”. O que essa frase representa? 

Zé Milton – Representa a verdade. O arroz é o que está na mesa de milhões de brasileiros, mas também é o que sustenta milhares de famílias que vivem da terra. Grito pelo arroz, é um grito pela dignidade de quem coloca a comida na mesa do brasileiro. E o nosso dever é garantir que esse grão continue sendo símbolo de esperança, dignidade e prosperidade. 

 

 

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