A dengue se tornou uma epidemia no país e fora dele. O problema é tão grave que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos emitiu alerta aos americanos para o risco de contrair dengue e malária em viagens ao Brasil. Em nosso país, o número de casos registrados neste ano já é 240% maior que o mesmo período do ano passado. Até o último dia 28, o país contabilizou cerca de 460 mil casos da doença, enquanto no ano passado, no mesmo período, foram 135 mil. Números impressionantes foram divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde. Segundo o órgão brasileiro, em média, são registrados 220 casos por hora.
Com esse aumento de casos, consequentemente, o número de mortes por complicações da doença também avançou 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste ano, 132 pessoas já morreram por causa da dengue. Em 2014, foram 102. Mas, será que a forma como tratamos o lixo contribui para este surto?
A gestão correta do lixo e a existência de um plano de gerenciamento de resíduos são elementos fundamentais para que os índices de doenças, entre elas a dengue, diminuam nos municípios. Como exemplo, podemos usar a cidade de Nazaré Paulista, em São Paulo. Conforme o Ministério do Meio Ambiente, a cidade possui um Plano de Gestão de Resíduos ativo. Até agora, a região não registrou caso da doença. O levantamento também mostra que em municípios onde não há um plano de gestão de resíduos, os casos de dengue dispararam.
O lixo pode ser um grande criadouro. Imaginemos, então, o nefasto efeito de milhões de recipientes jogados indiscriminadamente nas ruas, terrenos baldios, quintais, rios, margens de córregos e canais. São registrados casos de criadouros do mosquito até em folhas de bananeiras caídas e expostas que acumulam pequenas poças de água da chuva.
Vivenciamos isso recentemente em várias regiões do país com a greve dos garis. Nesse período, o acúmulo de centenas de milhares de toneladas de lixo dispostos nas vias e logradouros públicos foi enorme. Com a água da chuva formam-se as pequenas poças.
Segundo a Cetesb, hoje, no estado de São Paulo, são produzidas cerca de 40 mil toneladas diárias de resíduos sólidos domiciliares. É nítido que a falta de tratamento ou a disposição final precária desses resíduos causam problemas envolvendo aspectos sanitários, ambientais e sociais, como a disseminação de doenças, dentre elas a dengue, a contaminação do solo e das águas subterrâneas e superficiais, a poluição do ar pelo gás metano, etc.
As autoridades têm sua parcela de responsabilidade em tudo o que está acontecendo, mas nós também podemos agir. Devemos olhar atentamente o lixo gerado. O que precisa ficar claro é que a prevenção é a melhor forma de lutar contra a doença: gestão do lixo e tratamento correto. O número crescente de casos da doença prova que precisamos olhar com mais atenção e cuidado para o que acontece em nosso redor. Temos responsabilidade nesta epidemia. Se não cuidarmos agora, o tempo vai cobrar.

