FOTO PML Divulgação Notisul
Tempo de leitura: 6 minutos
A Prefeitura de Laguna reuniu autoridades municipais, estaduais e federais para conhecer o andamento dos três principais projetos conduzidos pelo Governo de Santa Catarina voltados à recuperação da Barra de Laguna, à revitalização do Porto de Laguna e ao desenvolvimento de um estudo hidráulico do Complexo Lagunar Sul Catarinense.
O encontro foi promovido por iniciativa do prefeito Preto Crippa e contou com representantes das secretarias municipais, Polícia Militar, Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama), Marinha do Brasil, Defesa Civil e dirigentes dos portos de Laguna e Imbituba.
A apresentação foi conduzida pelo secretário de Estado de Portos e Aeroportos, Ivan Amaral, que detalhou o estágio de cada projeto e os próximos passos previstos.
Projeto prevê recuperação dos molhes e dragagem da Barra
O primeiro projeto trata da recuperação física da Barra de Laguna e dos molhes, dividido em dois lotes.
O Lote A contempla levantamentos topográficos e batimétricos, sondagens, projetos estruturais e estudos necessários para a elaboração dos projetos básicos de derrocagem, dragagem e remodelagem dos molhes, além da prospecção de estruturas submersas.
Segundo o cronograma apresentado, essa etapa terá duração de 450 dias, com previsão de conclusão em dezembro de 2026.
Já o Lote B será voltado à execução das intervenções para garantir a navegabilidade do canal, incluindo levantamentos hidrográficos, estudos sobre áreas de descarte do material dragado e o projeto executivo da dragagem.
Durante a apresentação, Ivan Amaral explicou que a primeira etapa da obra deverá concentrar esforços na saída da barra, considerada o principal gargalo para o escoamento das águas e para a navegação.
O secretário também informou que uma laje rochosa identificada na saída do canal será alvo de estudos complementares. Caso seja necessária a remoção, o trabalho deverá utilizar técnicas alternativas, sem explosivos, devido à proximidade de áreas de reprodução do boto-cinza e da baleia-franca.
Assoreamento compromete a navegabilidade
O Governo do Estado apresentou ainda um histórico da evolução do assoreamento da Barra de Laguna, com comparativos entre imagens de satélite dos anos de 2003, 2009 e 2022.
Também foram relembradas intervenções realizadas desde o fim do século XIX, incluindo obras nos molhes, apontamentos técnicos feitos em 1957 e uma derrocagem iniciada entre 2002 e 2009 que não foi concluída.
Segundo o diagnóstico apresentado, o cenário atual é marcado pelo avanço do assoreamento e pelo desgaste das estruturas existentes.
Porto de Laguna poderá ampliar capacidade
Durante a reunião, Ivan Amaral explicou que a limitação do calado na entrada da barra restringe o potencial operacional do Porto de Laguna, atualmente integrado ao arrendamento do Porto de Imbituba.
Foram apresentados cenários de aprofundamento do canal:
- 6 metros: permite a navegação de embarcações de menor porte;
- 9 metros: possibilita a entrada de navios de granel líquido com carga parcial;
- 12 metros: viabiliza navios de turismo e embarcações de granel líquido totalmente carregadas.
Segundo o secretário, quanto maior a profundidade do canal, maiores também serão as exigências ambientais e estruturais. A estimativa preliminar é de aproximadamente R$ 100 milhões apenas para as obras iniciais da barra e da dragagem.
Estudo hidráulico terá duração de dois anos
Outro projeto apresentado foi o Estudo Hidráulico do Complexo Lagunar Sul Catarinense, cujo termo de referência está em fase final de elaboração.
O estudo passou a incluir também a Barra do Camacho e deverá ser desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), após a conclusão dos trâmites administrativos.
A previsão é de que o processo de contratação seja concluído em até dois meses, enquanto os estudos terão duração estimada de dois anos.
Entre as atividades previstas estão levantamentos batimétricos, instalação de equipamentos de monitoramento e modelagens hidráulicas para avaliar o comportamento das lagoas, rios e barras da região.
Ponte do Pontal segue em fase de estudos
Durante o encontro também foi discutido o andamento do projeto da futura Ponte do Pontal, sobre o Rio Tubarão.
Segundo o prefeito Preto Crippa, os levantamentos topográficos e as sondagens batimétricas representam a etapa inicial para definir o modelo estrutural da travessia.
“O projeto da ponte já começou, pois precisamos fazer esses projetos primeiro para depois pensar na estrutura de qual ponte será a mais adequada”, afirmou.
O prefeito destacou ainda que o traçado atualmente estudado busca preservar a capacidade operacional do Porto de Laguna e evitar impactos futuros na navegação.
Ao final da apresentação, Crippa afirmou que a Prefeitura acompanha os projetos em parceria com órgãos como a Marinha, Flama e ICMBio, defendendo que as intervenções sejam conduzidas com base em critérios técnicos e planejamento de longo prazo.

