sábado, 27 junho , 2026

“Estamos juntos, construindo um novo momento”

Ela entrou para a história de Santa Catarina como primeira vice-governadora de Santa Catarina. Natural de Maravilha, no Oeste do estado,  tem 42 anos, é casada e tem dois filhos.

Advogada há 18 anos, dedica-se ao Direito Empresarial, Administrativo, Civil e de Comércio Exterior. Além da atuação profissional como advogada, é empreendedora, produtora rural e ex-policial militar. Também é atuante na defesa das causas de pessoas com necessidades especiais e do empreendedorismo.

Nessa entrevista exclusiva, Daniela fala da mudança em sua vida a partir da posse no segundo cargo mais importante do Executivo estadual. E admite: “O maior impacto foi constatar o real tamanho da dívida do Estado! Chocou e entristeceu ver o tamanho do descaso”.

Passados os primeiros meses como vice-governadora, já se adaptou ao cargo?

Sim, já me adaptei! É um grande desafio, árduo, porém gratificante. Costumo dizer que foi a causa mais desafiadora que assumi enquanto advogada. Passado o processo de conhecimento, embora diariamente tenhamos surpresas, agora temos que resolver os problemas que surgem, da melhor maneira. Estamos encaminhando as mudanças que queremos implantar no nosso Estado. Temos muito trabalho pela frente! Queremos, daqui quatro anos, entregar à população, uma Santa Catarina muito melhor, com resultados que há muito são esperados.

Chegou a ser noticiado que a senhora não estava se sentindo confortável no governo. Isso é verdade? Como está, hoje, seu relacionamento com o governador Carlos Moisés e secretários?

E por que eu não me sentiria confortável no governo? Faço parte de uma equipe de trabalho coesa, técnica, qualificada e muito focada. Estamos na busca de um único objetivo: melhorar Santa Catarina. Estamos juntos, construindo um novo momento. Temos reuniões colegiadas para discutir os principais temas do estado. E essa comunicação está sendo determinante para fortalecer nossa equipe e atingir o resultado esperado.

De tudo o que a senhora viu até agora, o que mais a impactou? 

O maior impacto foi constatar o real tamanho da dívida do estado! Chocou e entristeceu ver o tamanho do descaso. Por outro lado, vejo a tamanha disposição dos catarinenses, seu perfil empreendedor e dedicado. A receptividade, a disposição para melhorar, a força para enfrentar adversidades da nossa gente, também chama muita atenção, muito embora eu já conhecesse essa característica e agora, percebi com maior intensidade. A capacidade de resolução da nossa equipe de governo, também considero muito importante salientar. Tivemos ideias inovadoras, para resolver antigos problemas, ter maior eficiência e economizar o dinheiro. A exemplo da nova forma de comprar medicamentos e materiais hospitalares: é algo simples, mas inovador porque acaba com atravessador. E isso se traduz em economia para o Governo e melhor serviço entregue ao cidadão.

  

Qual o peso de ser uma mulher na vice-governança de um estado conservador como o nosso?

Não interpreto como um peso. Sempre trabalhei e estudei em ambientes até então, predominantemente masculinos, a exemplo da faculdade de Direito e a Polícia Militar, que até pouco tempo, tinha poucas mulheres. Estou habituada a romper barreiras e não tenho medo delas. Sob este prisma, posso dizer que estou aqui, também para mostrar nossa importância e nossa capacidade, o quanto nosso olhar e nossa participação é importante para transformar o mundo e implantar as mudanças pelas quais batalhamos. Acredito sim que o trabalho, deva ser um ambiente de respeito, harmonia e foco no resultado, na busca de soluções. Via de regra, sou recebida com muito carinho e ouço muitas mensagens de estímulo e apoio. 

A senhora entra para a história de Santa Catarina como a primeira vice-governadora. O que espera para o segmento de mulheres nas próximas eleições?

Sim, entro para a história como a primeira Vice-Governadora e tenho uma grande gratidão por isso. Quero deixar um legado de trabalho e realização, à exemplo de muitas outras mulheres que temos aqui no Estado. O número de mulheres na política tem aumentado e espero que cada vez mais elas se envolvam nesse processo para melhorar nossas cidades, nosso estado e o nosso país.

 

A senhora tem alguma atuação específica enquanto vice?

Tenho liberdade para fazer a minha própria agenda, mas gosto de trabalhar em equipe, e me engajo para atender as missões que a mim são encaminhadas pelo Governador e procuro auxiliar a toda equipe de Governo. Tenho andado bastante pelo estado acompanhando nas mais diversas áreas. Busco ser um elo com entidades, prefeitos, a sociedade organizada e todos os catarinenses. Vivemos um novo momento, com uma nova visão de governar: mais transparente, simples e ágil. As pessoas tem recebido bem essa proposta. E isso mostra que estamos no caminho certo.

  

O fato de ser mulher, a provoca a defender as mulheres, exigindo, por exemplos, mais ações que coíbam a escalada de feminicídio e de violência doméstica?

Independentemente de ser mulher, sempre defenderei tudo o que é certo. E violência é algo inadmissível. Incentivo sempre as mulheres que sofrem algum tipo de violência, a denunciar e se protegerem. O Governo do Estado como um todo, está preocupado com esse assunto e articulando maneiras de combater esse mal de forma cada vez mais eficiente, aperfeiçoando os trabalhos das redes de atendimento. É um problema grave e que precisa ser enfrentado por toda sociedade, como parceira do governo do estado, na busca da erradicação dessa prática tão nefasta.

   

A senhora representa uma região forte economicamente, mas geograficamente distante do centro do poder. Como lida para dar respostas às justas demandas do Oeste catarinense?

Eu sou do Oeste, sempre lutei pela região e continuo batalhando em favor das demandas que vem de lá. Em cada entrega que já fizemos lá, eu vibrei muito! Realmente há muitas coisas a serem feitas na região e como já citei, tenho andado muito pelo estado e percebo que Serra, Norte, Vale, Sul e Litoral também precisam de atenção. As dificuldades são generalizadas no estado. Nosso desafio é fazer um governo justo, procurando atender e desenvolver todas as regiões. Não é um trabalho fácil, tendo em vista a dificuldade financeira do momento, mas a Reforma Administrativa e as outras medidas de austeridade devem permitir que, em breve, possamos avançar em diversas frentes, em todas as regiões, inclusive no Oeste.

Quais os seus próximos passos na caminhada político-partidária? Vai se candidatar em 2020? Em 2022?

Nunca pensei em disputar um cargo eletivo, até o momento em que decidi transformar minha indignação em atitude, decidi ajudar nessa mudança e ingressei na política. O desejo de fazer algo para mudar um cenário muito ruim, foi minha maior motivação. Agora vem a parte mais desafiadora, que é realizar o trabalho proposto. Essa missão apenas começou e justamente por isso, ainda não estou pensando em movimentos futuros. Uma missão por vez! Há muito trabalho a ser feito aqui, e agora. 

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