Luís Henrique Dal Molin
Coordenador Senac Tubarão
De forma geral, o mercado gosta muito de polarizar situações, pois isso afeta o campo financeiro: branco ou preto, nós ou eles, rico ou pobre, Trump ou Obama, Lula ou Bolsonaro. Muitas opções deixam sempre o mercado incerto e imprevisível e levam sempre as empresas a um baixo nível de investimentos. Logo, o mercado gosta de poucas opções.
Mas com poucas opções, é necessário que cada opção apresente e possa alcançar suas funções de forma diferente da concorrência ou de produzir algo reconhecido como único esse é o conceito de posicionamento estratégico.
Em seu livro, “Estratégia Competitivas: Técnicas para análise de indústria e da concorrência de 1980”, Michael E. Porter apresenta modelo das Estratégias Competitivas Genéricas. Este modelo é dividido em três abordagens que são: liderança em custo, foco e diferenciação.
Com liderança total em custos, a empresa concentra todos seus esforços em produtos com o menor custo possível, podendo, assim, usar economias de escala e de distribuição. Desta forma, poderia também ter um menor preço, pois seus lucros ainda existirão em menores preços e poderia competir criando barreiras de entrada de novos concorrentes. Já com relação à estratégia de foco (ações focalizadas), a empresa deve distinguir-se da norma concorrencial através de critérios estreitos de segmentação da clientela-alvo, designadamente: (1) isolando um grupo específico de clientes; (2) isolando um segmento único de produto; (3) concentrando-se numa área geográfica e finalmente; (4) encontrando um nicho específico. Então, a empresa pode concentrar recursos em certas atividades da cadeia de valor por construir uma vantagem competitiva. E, por último na estratégia de diferenciação, a empresa investe em um conjunto de ações destinado a produzir ou distribuir produtos/serviços (a um custo aceitável) que os clientes percebam serem diferentes dos da concorrência, e que essa(s) diferença(s) lhes seja(m) importante(s). Cabe ressaltar que não se pode atuar em duas ou três formas ao mesmo tempo, isto é: ficar no meio-termo, que é uma situação estratégica extremamente pobre e pouco rentável, de acordo com Porter, e pode levar ao fracasso.
Pois bem, trazendo do campo da Administração e levando para campo da estratégia política, podemos situar os candidatos Lula e Bolsonaro nas estratégias de Porter. Lula poderia ser enquadrado em liderança em custos por ter uma base forte, rede logística e atinge um eleitor com pouca análise. Bolsonaro pode se enquadrar em foco, sendo uma opção mais à direita, com penetração nas alas militares e em alas da juventude.
Mas a estratégia de diferenciação teria opções? Na estratégia de diferenciação tem de se oferecer algo aos clientes que a concorrência não oferece ou não é capaz de oferecer. A diferenciação custa caro e consome muito tempo. Na diferenciação, três dimensões são avaliadas: o que se faz bem, o que o cliente quer e o que os concorrentes fazem bem. Saber essas respostas pode nos trazer algo novo e criar a vantagem competitiva.

