Após sair das ruas, Alexssandro Franco Dorneles realiza a venda de doces para auxiliar nas despesas da família e levar esperança e auxílio às pessoas que ainda estão ao relento
Lysiê Santos
Tubarão
Alexssandro Franco Dorneles, 38 anos, diariamente circula pelas ruas de Tubarão com caixas recheadas de docinhos caseiros. Ele passa por estabelecimentos comerciais, aborda pessoas na rua e faz aquela propaganda do produto… No entanto, além da publicidade dos doces, e a busca por renda, as vendas também são solidárias. O valor arrecadado auxilia nas despesas da casa e é destinado também para o auxílio a moradores de rua.
O autônomo não representa nenhuma associação ou instituição religiosa, apenas decidiu fazer o bem, sozinho, para aqueles que sofrem com o frio e a fome nas ruas. Alguns lutam para vencer o vício das drogas e retornar ao convívio social.
Alexssandro conta que se identifica com esse público, pois também já morou nas ruas por cerca de seis anos. “Comecei a me envolver com drogas na adolescência. Curioso, iniciei experimentando a maconha e fui me envolvendo até chegar à cocaína e ao crack. Perdi a minha liberdade e cheguei a subtrair alguns pertences da minha família para sustentar o vício. Com vergonha, não consegui mais voltar para casa e por seis anos morei nas ruas”, detalha.
Após vagar pelas vias e dormir embaixo de pontes, o jovem foi internado em um centro de recuperação para dependentes químicos, em Florianópolis, e lá decidiu mudar de vida e retornar ao convívio com a família. “Faz dois anos que estou ‘limpo’ e consegui reencontrar minha família. Hoje, moro com minhas duas irmãs e me esforço para retornar ao mercado de trabalho”, conta.
Produção de doces auxilia no sustento da família
Ao retornar a Tubarão, Alexssandro, que tem experiência com serviços de pintura, ainda não conseguiu uma oportunidade de trabalho na sua área. A irmã, Elisangela Franco Dorneles, atua há alguns anos com a produção de doces e quitutes de festas. Para ajudar nas despesas da casa e ainda fazer o bem para aqueles que ainda estão nas ruas, o jovem resolveu vender os doces feitos pela irmã. “Ela trabalha há bastante tempo com doces, pois tem um filho com paralisia que depende dela para tudo. A venda nos ajuda a manter a casa e também estou auxiliando algumas pessoas que conheci, como um amigo que hoje mora em uma estrebaria. Sempre levo comida e roupas para ele e agora estamos tentando levá-lo para um centro de recuperação”, almeja. Os interessados em ajudar a família por meio de encomenda de doces, ou outro tipo de colaboração, podem entrar em contato pelo telefone (48) 99605-6916.

