domingo, 28 junho , 2026

Expira ultimato europeu a Maduro, que tenta frear ofensiva de Guaidó

O chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, voltou a propor eleições legislativas antecipadas em resposta à pressão da oposição e dos ocidentais, enquanto expira neste domingo o ultimato dado por seis países da UE para convocar uma eleição presidencial. Alemanha, Espanha, França, Holanda, Portugal, Reino Unido estipularam ao líder bolivariano oito dias para realizar um novo pleito, caso contrário vão reconhecer o opositor Juan Guaidó como presidente interino. Apoiado pela Rússia, China, Coreia do Norte, Turquia e Cuba, Maduro, de 56 anos, rejeitou a medida e acusou os Estados Unidos de orquestrarem um golpe de Estado.

Guaidó, que se proclamou presidente interino, também deve informar quando chegará a ajuda humanitária anunciada no sábado, durante uma enorme manifestação de seus partidários para exigir a saída de Maduro. Centros de armazenamento deverão ser organizados do outro lado da fronteira, na Colômbia e no Brasil, e em uma “ilha do Caribe”. Os Estados Unidos indicaram que vão transportar esta ajuda a pedido de Guaidó.

Maduro também reuniu milhares de partidários no sábado em Caracas e relançou a ideia de eleições antecipadas para substituir um Parlamento de maioria opositora. O mandato atual da Assembleia Nacional, eleita no final de 2015, vai até janeiro de 2021. E as próximas eleições legislativas estão programadas para o final de 2020.

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Caracas, parte delas para exigir a partida de Maduro e outra para celebrar o 20º aniversário da revolução bolivariana e reafirmar seu apoio ao chefe de Estado. Em ambos os lados, fotos mostraram ruas e avenidas lotadas de pessoas. Não há números confiáveis sobre as mobilizações. Em um palco montado em frente à representação da União Europeia, na capital venezuelana, o líder da oposição previu um mês de fevereiro “decisivo” para expulsar Maduro do poder.

“Vamos continuar nas ruas até sermos livres, até o final da usurpação”, disse com a voz rouca. Ele pediu aos seus partidários para que mantenham a pressão durante uma nova manifestação em 12 de fevereiro, o Dia da Juventude na Venezuela. Outra mobilização, ligada à distribuição de ajuda humanitária, é esperada nos próximos dias. Os venezuelanos também se manifestaram contra Maduro em vários países da América Latina, incluindo Colômbia, Chile, Costa Rica, México e Argentina.

“Liberdade!”

Em sua conta no Twitter, o presidente colombiano Iván Duque anunciou a abertura em seu país de três centros para a coleta de ajuda humanitária, incluindo medicamentos e alimentos, para a Venezuela. “Nós não fomos e não seremos um país de mendigos”, reagiu Nicolás Maduro. Por outro lado, “há quem se sinta mendigos do imperialismo e que vendem sua pátria por 20 milhões de dólares”, continuou ele, referindo-se à quantidade de ajuda humanitária prometida pelos Estados Unidos a Juan Guaidó.

Desde o início das mobilizações, em 21 de janeiro, cerca de quarenta pessoas foram mortas e mais de 850 foram presas, segundo a ONU. A manifestação da oposição se dispersou sem grandes incidentes. A cerca de dez quilômetros de distância, Maduro anunciou aos seus seguidores um aumento no número de soldados, chamando milicianos a se juntarem ao exército para enfrentar o que ele chamou de “plano macabro” dos Estados Unidos. Referindo-se ao ultimato lançado pelos europeus, o canal de televisão venezuelano TeleSUR lamentou em seu site “a postura intervencionista adotada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e pela União Europeia”.

Maduro não é reconhecido por parte da comunidade internacional, enquanto Guaidó é apoiado pelos Estados Unidos, a maioria dos Estados latino-americanos e alguns países europeus. Na quinta-feira, o Parlamento Europeu reconheceu a autoridade de Guaidó e exortou todos os países da UE a fazer o mesmo. E, agora, um primeiro embaixador venezuelano se juntou a Guaidó. No Iraque, Jonathan Velasco disse em uma mensagem que a Assembleia Nacional era “o único poder legítimo”. 

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