sábado, 25 julho , 2026

Falta de profissionais no Mais Médicos afeta 6 milhões de brasileiros

O Brasil tem hoje 2.149 vagas do programa Mais Médicos não preenchidas, o que equivale a 12% do total. Das posições ociosas, 2.042 estão em regiões que não foram contempladas pelo único edital lançado neste ano, segundo dados obtidos pela DW Brasil via Lei de Acesso à Informação.

Devido a essa situação, a União é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF), que estima um prejuízo direto no atendimento básico de saúde de mais de 6 milhões de brasileiros, moradores dos 705 municípios onde há vagas ociosas.

O único edital lançado em 2019, em maio, teve como objetivo preencher postos em municípios com maior vulnerabilidade social, que representam cerca de 72% das cidades registradas e 57% das vagas do Mais Médicos.

A cidade com maior número de vagas para médicos ociosas é Fortaleza, com 78 postos vagos. A capital cearense supera até mesmo São Paulo (70), a maior cidade do país. Enquadrada na categoria capitais e regiões metropolitanas, Fortaleza não recebeu médicos novos em 2019.

“Temos um programa de residência em atenção primária com 150 vagas, com custo anual de R$ 24 milhões. Isso seria reduzido pela metade se tivéssemos hoje os 78 profissionais que estão faltando no Mais Médicos”, diz Joana Maciel, secretária da Saúde da capital cearense.

O número total de vagas do Mais Médicos é 18.337. Mais de 8 mil delas foram ocupadas por cubanos até novembro do ano passado, quando Cuba abandonou o programa em resposta a declarações do recém-eleito presidente, Jair Bolsonaro. A parceria entre os dois países foi iniciada em 2013, no governo de Dilma Rousseff.

Dois editais foram lançados pelo Ministério da Saúde ainda em 2018 para ocupar as vagas deixadas pelos cubanos. Mas de lá para cá muitos dos profissionais selecionados desistiram do programa, e essas vagas não foram preenchidas. O estado de São Paulo é o que soma mais vagas ociosas: 488.

Prejuízo para municípios

Os profissionais que participam do Mais Médicos recebem uma bolsa-formação de R$ 11,8 mil do governo federal, e os municípios fornecem moradia e transporte. Sem os médicos do programa, as prefeituras precisam contratar diretamente o médico e arcar com custos como férias e 13º salário.

De acordo com um cálculo da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), uma prefeitura gasta em média R$ 256 mil por ano para contratar um médico diretamente. Essa é a opção de muitos municípios de Santa Catarina, que soma 145 vagas abertas, o equivalente a 25% das 569 do programa no estado. O percentual é superior apenas no Distrito Federal, onde 38% das vagas do programa estão ociosas.

Cerca de 4 mil municípios estão cadastrados no Mais Médicos. Eles são divididos em oito perfis, de acordo com dados socioeconômicos do IBGE. O edital lançado em 2019 pelo Ministério da Saúde previa a chamada de médicos apenas para os perfis de 4 a 8, de municípios considerados mais vulneráveis. Isso ajuda a explicar por que Santa Catarina foi o estado mais afetado em termos percentuais: são 177 cidades entre os perfis de 1 e 3, e apenas 38 nos perfis de 4 a 8.

Glademir Aroldi, presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), afirma que os gastos com a contratação direta de médicos chegam num momento em que muitas administrações municipais já operam no vermelho.

“Por lei, a prefeitura não pode gastar mais de 54% do orçamento com pessoal, e essa despesa com médicos entra nessa classificação. Hoje, pelo menos 30% dos municípios do país já estão no limite de gastos com pessoal, então, qualquer despesa extra vai fazer com que eles não consigam fechar as contas dentro da legislação”, diz.

Em maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina entrou com uma ação civil pública para que a União garanta o preenchimento das vagas do Mais Médicos ou recursos para as cidades afetadas em todo o país. Fábio de Oliveira, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, usa o cálculo da Fecam para alertar para o prejuízo que pequenos municípios podem ter.

Continue lendo

APAE de Tubarão completa, neste sábado, 60 anos de inclusão e cuidado

FOTO Apae Tubarão Divulgação Notisul Tempo de leitura: 4 minutos A APAE de Tubarão completa 60 anos neste sábado, 25 de julho. Fundada em 1966, a...

Bombeiros localizam corpo durante buscas no Rio Braço do Norte

FOTOS CBMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos O Corpo de Bombeiros Militar localizou, na tarde desta sexta-feira (24), o corpo de uma pessoa durante...

Horóscopo de sábado 25: confira a previsão para os 12 signos 

 IMAGEM IA Notisul Tempo de leitura: 5 minutos O sábado (25) começa com a Lua nos últimos graus de Sagitário, mas às 11h22 (horário de Brasília)...

Quando o frio chega, a Serra Catarinense aprende a desacelerar

FOTO UNITVSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos Há lugares que parecem feitos para serem visitados com pressa. A Serra Catarinense não é um deles. Quando...

O que as grandes crises ensinam sobre empresas resilientes

IMAGEM Getty Images/Unsplash Divulgação Notisul (*) Julian Tonioli Crises fazem parte da história da economia. Pandemias, recessões, conflitos geopolíticos e choques financeiros surgem de tempos em...

Tubarão sediará o III aniversário da Academia Catarinense de Cordel

FOTO Divulgação Notisul Tempo de leitura: 4 minutos A cidade de Tubarão será palco, no dia 15 de agosto de 2026, das comemorações pelo III aniversário...

Pelo Estado – Futebol e cooperativismo 

 Vanir Zanatta, Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)   O encerramento de mais uma Copa do Mundo de Futebol oferece...

Camerata di Venezia apresenta concerto de tango gratuito em Nova Veneza

FOTO Charles Corrêa Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos A Camerata di Venezia promove no dia 31 de julho (sexta-feira) o concerto "Tango em Veneza",...