Tubarão
“Uma notícia terrível”. Assim o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli definiu a desativação da linha de produção da Hydra no município. O grupo Duratex, dono da marca, anunciou a decisão nesta quinta-feira. Cerca de 220 pessoas foram demitidas. Já Centro de Distribuição (CD) funcionará pelo menos até 2023, empregando 100 pessoas.
Segundo a empresa, a unidade Tubarão estava ociosa, ocupando 33% da capacidade. Embora o esforço fosse manter a unidade em operação desde 2015, a não reação da economia e do mercado levou à decisão de transferir a produção para a unidade de Aracajú (SE), que possui aproximadamente 750 funcionários.
“A decisão neste momento é fabril. Todas as atividades da unidade de Tubarão serão realocadas em Aracajú. Não descartamos a possibilidade de transferir também alguns funcionários. Infelizmente não há como aproveitar todos”, esclarece Camilo.
Em nota, a Assessoria de Comunicação do grupo confirmou a empresa passa por um “momento de revisão estratégica e que o fechamento da unidade industrial de Tubarão é importante para a consolidação das atividades da companhia e para manter a competitividade no mercado”.
No fim da tarde de quinta, foi realizada uma reunião na prefeitura, que contou com a presença do gerente industrial da Hydra, Rogério Rodolfo de Souza, do presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Edson Martins Antônio, além do prefeito Joares Ponticelli e do vice Caio Tokarski.
“Essa notícia abala a todos. Recebemos a diretoria para comunicar que a decisão é definitiva. Embora o CD seja mantido aqui, com faturamento para o município em termo de tributos, parte dessas demissões estão tentando transferir para a unidade de Aracaju e se prontificaram a colocar toda a estrutura de RH da empresa para ajudar. Porque eles elogiaram muito ao capacidade técnica dos trabalhadores da unidade daqui. O gerente da unidade chegou a dizer que se pudesse, transferiria a unidade de Aracaju para cá, e não fecharia, porque essa era a unidade de melhores resultados em todos os indicadores. Uma decisão que estavam protelando, mas não tiveram como segurar pelo momento da economia nacional. Torcem para que a economia reaja, e a empresa possa recuperar sua capacidade de crescimento e liderança no mercado para num futuro poder retomar as atividades aqui na cidade”, afirma Ponticelli.
De acordo com o vice-prefeito de Tubarão, Caio Tokarski, há anos se buscava soluções para uma ampliação da empresa no município, mas eles não demonstraram interesse.
“No primeiro momento o problema era a planta que estava numa área residencial. Apresentamos sugestões de áreas que o município até desapropriou. E em relação aos regimes especiais de tributação junto ao Governo do Estado, houve duas audiências com o governador Raimundo Colombo. E de um tempo para cá, esse assunto acabou esfriando por interesse da empresa. Não teve mais interesse em ampliar, construir uma nova planta e nem em ter esses incentivos, o que demonstra que ela tinha um outro foco. Quando adquiriu a Corona Chuveiros, que tem uma planta maior em Aracaju, começou a trabalhar e foi diminuindo as operações aqui”, explica.
“Eles passaram que a planta de Tubarão estava trabalhando de forma quase que ociosa. Não justificava mais a manutenção dela. Segundo eles todos os esforços foram feitos para que a unidade fosse mantida, mas a quantidade de empregos foi diminuindo. Não houve uma reação da economia. E a planta de Aracaju (SE), com 750 empregados pode absorver a produção que tinha em Tubarão, não justificando manter duas plantas pelos custos de manutenção dessas duas plantas”, completa o presidente da Acit.
A preocupação agora é realocar os trabalhadores que foram demitidos. Segundo o presidente da Acit, tanto a Hydra, buscam novos postos.
“A Associação Empresarial de Tubarão vai construir uma ponte entre a Hydra e a cidade, de forma que vão distribuir os currículos desses profissionais, que segundo eles são altamente qualificados, com os melhores índices de produtividade e competitividade interna. Não existe no grupo um time tão qualificado e comprometido como o de Tubarão. Lamentam muito, mas era o menor time e tinham que desativar uma planta, e foi desativada a planta de Tubarão. Vamos continuar acompanhando e eles têm interesse que esses profissionais sejam realocados”, afirmou Martins.

