Recebemos nos últimos dias, especialmente através da imprensa escrita, muitas informações sobre o desempenho do município de Tubarão, que, num primeiro momento, nos deixaram orgulhosos, porém, numa análise mais criteriosa, indignados. Pela redação dada em todos os veículos de divulgação, não resta dúvida que todos foram induzidos ao erro ao divulgar matéria inverídica ou tendenciosa. Refiro-me a dois momentos distintos:
1 – Sobre o Índice Firjan de Desenvolvimento de Municípios (IFDM), medido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro e que leva em consideração os índices de emprego e renda, educação e acesso à saúde. Foi dado ênfase ao desempenho do município de Tubarão, que estaria ocupando o 56º lugar entre os municípios brasileiros, utilizando, inclusive, a manchete: “Tubarão é o 56º melhor município brasileiro para se viver”.
Entendo que nosso município é, sim, excelente para se viver, mas não temos o direito de mentir para a nossa sociedade. A imprensa tubaronense foi enganada. O último IFDM da Firjan divulgado, referente a 2009, coloca Tubarão num honroso 148º lugar no ranking nacional e o 13º no estado. Muito diferente do 56º nacional e 3º estadual. Isto até já aconteceu, porém, perdemos muitas posições.
2 – Sobre o Produto Interno Bruto (PIB), mais uma vez somos induzidos a parecer o que não somos. Como sociedade consciente e responsável, devemos tratar nossas questões com responsabilidade. Não é novidade para ninguém que Tubarão esteve durante muito tempo, no século passado, entre as maiores cidades do estado, mas que vem perdendo espaço para outras em ritmo preocupante. Precisamos encarar esta realidade e buscar alternativas que mudem o rumo dos fatos ou seremos apenas “história econômica”. Muitos têm dedicado profundos estudos para identificar as causas, e até conseguiram, porém, não tem sido fácil reverter o quadro.
O que não podemos contestar é a frieza dos números:
– Dos 20 atuais maiores municípios catarinenses em relação ao seu PIB, Tubarão tem o pior desempenho nos últimos dez anos, a saber.
Como cresceram nos últimos dez anos: 1) Itajaí = 610,45%; 2) São Francisco do Sul = 444,26%; 3) Palhoça = 382,85%; 4) Balneário Camboriú = 327,50%; 5) Guaramirim = 303,03%; 6) São José = 295,28%; 7) Jaraguá do Sul = 243,06%; 8) Joinvile = 240,56%; 9) Rio do Sul = 223,68%; 10) Lages = 221,62%; 11) Florianópolis = 216,41%; 12) Caçador = 211,90%; 13) Brusque = 211,53%; 14) Criciúma = 200,94%; 15) Concórdia = 179,66%; 16) Blumenau = 171,37%; 17)Videira = 166,66%; 18) São Bento do Sul = 163,15%; 19) Chapecó = 155,88%; 20) Tubarão = 148,43%.
Preocupa-nos muito o fato de que o crescimento do estado de Santa Catarina no período ter sido de 249,39%. Crescemos pouco mais que a metade do que cresceu o estado. Embora sejamos o 15º PIB municipal, temos sido ultrapassados por outros municípios com extrema facilidade. Isto pode ser constatado ao fazermos avaliação semelhante com os municípios da região. Resolvemos, ficticiamente, recriar a Amurel com 18 municípios e compará-los em termos de desenvolvimento econômico. Ficamos assustados.
Tubarão só teve desempenho melhor que Santa Rosa de Lima, ficando em penúltimo lugar. Vejamos:
Crescimento econômico de 18 municípios da Amurel em dez anos: 1) Imbituba = 575,71%; 2) Sangão =388,46%; 3) Capivari de Baixo = 362,96%; 4) Gravatal = 317,24%; 5) Grão Pará = 280,00%; 6) São Ludgero = 275,71%; 7) Rio Fortuna = 271,42%; 8) Braço do Norte = 258,57%; 9) Armazém = 252,00%; 10) Imaruí = 251,35%; 11) São Martinho = 250,00%; 12) Pedras Grandes = 247,36%; 13) Orleans = 215,71%; 14) Treze de Maio = 196,55%; 15) Laguna = 193,33%; 16) Jaguaruna = 185,71%; 17) Tubarão = 148,43%; 18) Santa Rosa de Lima = 121,42%.
Importante ressaltar que em 1999 Imbituba possuía um PIB que representava 22% do PIB de Tubarão e hoje já representa 59%, aproximadamente. Quantos anos serão necessários para Imbituba ultrapassar Tubarão?
Capivari tinha 8% do PIB tubaronense e hoje tem 16%.
Tubarão ainda tem o maior PIB da região, mas vê muitos municípios se aproximarem. Precisamos unir forças, identificar problemas, desenvolver ações e reverter a situação. Sob a animação do poder público municipal, precisamos encarar esta realidade.
Os mesmos gargalos que afetam nosso crescimento afetam o crescimento dos municípios da região. Aqui, algo está errado.
Desculpem-me, mas, economicamente, Tubarão não é a “cidade dourada” expressa nas manchetes.
Mesmo com a possibilidade de divergência de algum número, fica a clara evidência da tendência.
Com todo o respeito que devo aos veículos de comunicação, peço-lhes que ajudem a esclarecer a sociedade e promover nosso desenvolvimento.

