D entre tantos, o maior desafio da educação brasileira é formar bons leitores. Aqueles que , segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), são capazes de interpretar textos, comparar e avaliar informações, distinguir fato de opinião e resolver problemas com percentuais, cálculo de área, etc..
Em vez disto, o Brasil é o oitavo país com maior número de analfabetos adultos, totalizando cerca de dez milhões (segundo relatório da Unesco, publicado no dia 27 de janeiro de 2014) e forma, exponencialmente, “papagaios” ou meros repetidores de palavras, sem, contudo, interpretá-las, conectá-las e “decifrar a mensagem”.
Estão nesta situação 65% dos brasileiros que concluem o ensino médio, 38% dos que completam o superior e, 50% dos estudantes, com até 15 anos de idade, ainda segundo o Inaf e o PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos), respectivamente.
No que isto implica? Implica na não conquista da autonomia e no alijamento do mercado de trabalho e na impossibilidade do desenvolvimento sustentável, da consolidação da democracia e da paz. O problema está no fato de muitas escolas, mesmo dispondo de tecnologias, continuarem ensinando e avaliando por meio de métodos que desenvolvem habilidades e competências adequadas à era pré-tecnológica. Memorizar para repetir, era suficiente para o mercado de trabalho movido por tarefas repetitivas (cortar, contar, carregar, empilhar etc.) e para as poucas informações da época.
Por isto, bons alunos eram os que melhor repetiam “de cor” (de decoreba) e salteado, as tabuadas, os “pontos”, nomes das capitais dos estados e dos países, datas e personagens, regras, fórmulas e algoritmos, inferindo que o memorizado não precisava, necessariamente, ser compreendido.
Em tempos de informática, robótica, biotecnologia, desmaterialização etc.:1) as citadas tarefas repetitivas são executadas por máquinas, cabendo ao trabalhador programá-las, operá-las e fazer-lhes a manutenção; 2) as informações jorram simultaneamente e por muitas fontes, exigindo interpretação, seleção, organização, registro e uso.
Nesta nova era, os conceitos precisam ser compreendidos e aplicados; o dizer a tabuada deve ser precedido pelo compreender que se trata da multiplicação – síntese da adição, fundamentais para resolver problemas que envolvem, principalmente, a divisão; a decoreba dos nomes das capitais deve ser precedida pelo aprendizado da consulta aos mapas, globos e ao Google Earth, para facilitar as localizações; a memorização de datas e personagens, precedida da compreensão como os fatos passados implicam na vida cotidiana e possibilitam projetar o futuro, e outros.
Quer dizer: as tecnologias exigem que o saber – sem limites – seja compreendido, tenha significado e impulsione a um novo fazer, necessariamente, ético. Possível com adequações nas metodologias de ensino e de avaliação, na postura docente e com ajuda mútua entre professores de todas as disciplinas e famílias, ou, mesmo com toda tecnologia na escola, estar-se-á ensinando para o passado ou formando meros ‘papagaios’, os perdedores atuais e do futuro.

