Jailson Vieira e Letícia Matos
Tubarão
A greve dos professores da rede estadual completa hoje 30 dias e o cenário continua o mesmo. O governador Raimundo Colombo (PSD) e o secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps, permanecem irredutíveis e afirmam que somente conversarão com os grevistas se eles encerrarem a paralisação e retornarem às salas de aula. Porém, os docentes que aderiram à greve salientam que este acordo é impossível de ocorrer.
Nesta segunda-feira, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública (Sinte/SC), em Tubarão, reuniram-se e discutiram quais os próximos passos. Ficou decidido que o grupo da Cidade Azul unirá forças com os demais sintes da região sul, Laguna, Criciúma e Araranguá. Atos macrorregionais serão realizados durante toda esta semana com a distribuição de material para a comunidade estudantil e a sociedade em geral. A primeira ação ocorrerá amanhã, às 15 horas, na Cidade Carbonífera.
A coordenadora do Sinte em Tubarão, Tânia Fogaça, esclarece que o momento é oportuno e que os grevistas não recuarão diante das ameaças e desmandos do governo. “A categoria sabe que o momento de pressionarmos o governo e irmos atrás de nossos direitos é agora. Se o projeto de lei for aprovado pelos deputados não temos mais o porquê lutar. Assim como é passado para os docentes, a greve não é falta, e sim um direito garantido pela constituição. Os Admitidos em Caráter Temporário (ACT’s) também têm esse direito. O que é inconstitucional são as ameaças dos representantes do governo”, destaca.
Os profissionais lembram que apesar da proposta apresentada pelo governo contemplar algumas das reivindicações, o objetivo do poder executivo continua o mesmo, enxugar a máquina para economizar dinheiro e retirar direitos dos trabalhadores.
Professores continuam a registrar boletins de ocorrências
Os representantes do Sinte em Tubarão e os professores grevistas afirmam que o governador Raimundo Colombo (PSD) já admite que o número de grevistas em todo o estado chega a 40% e não como mencionado pelo governo anteriormente de que apenas 10% dos docentes estavam paralisados.
Os grevistas lembram que na última semana inúmeros registros de boletins de ocorrências foram feitos contra o secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps, e destacam que nesta semana o número aumentará.
Os profissionais do magistério também alegam que entendem a participação do ex-deputado Joares Ponticelli (PP) na inauguração da rodovia em Sangão na última sexta-feira. Pois ele foi o governador interino do estado na época da assinatura para o início da obra. Mas ficou difícil de ‘engolir’ a defesa do ex-deputado diante das ações do governador.
“Não entendemos porque ele defende o governador se no ano passado ele o criticava. Era um opositor ferrenho do Colombo. Se o ex-deputado tem tanta pena dos alunos que estão sem aula, porque ele não volta à sala de aula, uma vez que é efetivo do estado por 40 horas e está licenciado do cargo”, observam os docentes.
Última paralisação
A última greve dos professores da rede estadual ocorreu em 2011 e os docentes paralisaram as atividades por 62 dias. Foi a maior greve da categoria já registrada no estado. Existem possibilidades de que esta situação se repita neste ano.
Reivindicações
• Pagamento do reajuste integral do piso na carreira, retroativo a 1º de janeiro com descompactação da tabela salarial;
• Não à incorporação da regência e contra a meritocracia incluída na proposta de pagamento do “incentivo à sala de aula”;
• Manutenção dos níveis de ensino médio e licenciatura curta na tabela salarial, mantendo a paridade entre ativos e aposentados;
• Reversão das demissões e o fim dos casos de perseguições, assédio e processos administrativos contra lideranças sindicais.
Principais fatos
• 24/03 – O secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps, afirmou que, com a paralisação, não haverá negociação.
• 25/03 – Dois mil professores fazem manifestação no Centro Sul, em Florianópolis. Encaminhado um ofício ao governador Raimundo Colombo.
• 07/04 – Cresce a adesão após um vídeo do secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps, ser divulgado nas redes sociais, onde ele criticava duramente os diretores que apoiam os grevistas, chamando-os de ‘pelegos’.
• 09/04 – Retirada da pauta na Assembleia Legislativa (Alesc) a votação da Medida Provisória 198 (MP198), que prevê mudanças na forma de remuneração dos professores Admitidos em Caráter Temporário (ACT’s). Os sindicalistas e professores acamparam na Alesc. Houve tumulto entre grevista e policiais militares.
• 11/04 – Alunos de diversos municípios fazem passeatas em favor dos professores. Cinco profissionais do comando de greve reuniram-se com Deschamps. Eles esperavam por uma contraproposta, mas o secretário salientou que encaminharia somente nos próximos dias.
• 14/04 – Os profissionais registraram boletins de ocorrência contra o secretário da educação devido às ameaças que sofreram.
• 15/04 – Contraproposta é apresentada pelo governador Colombo, mas é rejeitada.
• 18/04 – Os professores tumultuam ato com o governador em inauguração de obra.
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