
Mirna Graciela
Tubarão
A briga do guarda municipal com o comerciante na noite da última terça-feira é o assunto mais discutido do momento, nas redes sociais e nas ruas de Tubarão. O Notisul ouviu pessoas envolvidas e autoridades competentes.
Mas faltava o guarda municipal Leandro Bittencourt, de 29 anos. Ele é quem teve o primeiro contato com Douglas Pinheiro de Borba, 31 anos, dono do carrinho de cachorro-quente. Segundo o guarda, esta é a primeira vez que ocorre um desacato de tamanha proporção. “Já ocorreram situações deste tipo, onde não precisamos usar o spray quando dada a voz de prisão, e outras em que uma boa conversa resolveu a situação”, conta o guarda municipal.
Bittencourt admite que intimou o comerciante quando ele gravava a viatura da GMT estacionada. E garante que o fato foi decorrente do dia anterior, quando um funcionário de Douglas teve a motocicleta removida por estar irregular. “Ele me respondeu alterado e em tom ríspido, e disse que o celular era dele e fazia o que quisesse. Isto já é um desacato. A frase pode ser a mesma, mas a forma de falar muda tudo”, justifica o guarda.
Douglas foi alertado que poderia ser preso e falou que a Polícia Militar deveria ser chamada para isto. E vieram as palavras de baixo calão, conforme Bittencourt. O guarda então se afastou do local e voltou acompanhado de outros guardas. “Ele resistiu e disse que ninguém colocava as mãos nele. Então, tentamos a verbalização, sem êxito. Daí fomos para a segunda etapa, que foi o uso progressivo da força. Ele se debateu e tivemos que usar o spray de pimenta”, relata.
Guarda garante que não bateram no comerciante
“Não agredimos ele fisicamente, e sim fizemos uso da força física ao segurá-lo”, garante o guarda municipal Leandro Bittencourt, de 29 anos. Conforme o guarda, foi um grande tumulto e o comerciante se debatia muito.
“Assim como ele ficou com marcas, também estou e outro guarda foi agora à tarde (quinta-feira) fazer exame de corpo delito, pois está com hematomas nos braços. As marcas em todos foram em função da força para contê-lo”, afirma Bittencourt. “Não batemos no nariz dele. Com certeza, ele passou a mão por causa da agonia do spray e se arranhou”, cogita o guarda.
Bittencourt conta que Douglas não saiu do local somente de cueca, e sim que a bermuda caiu dentro da viatura, porque ele estava muito agitado e nervoso. “Estou tranquilo porque o que ocorreu comigo foi um desacato, que foi confirmado. Se houve excesso por parte de algum guarda, o exame de corpo delito vai revelar e haverá punição”, declara Bittencourt.
O guarda municipal Daniel Martins de Oliveira afirma que em nenhum instante as pistolas foram sacadas dos coldres (suportes). “Nenhum de nós fez isso, e muitos estão dizendo que apontamos as armas para cima, usamos o spray de pimenta”, declarou Daniel.
Bittencourt está há seis anos na Guarda Municipal e Daniel há quase quatro.}
Comerciante garante que levou soco no abdômen e no nariz
O dono do cachorro-quente, Douglas Pinheiro de Borba, 31 anos, diz que foi muito humilhado e levou socos no abdômen e no nariz dos guardas. E garante que não usaria as imagens da viatura da GM estacionada em cima da calçada e que o fato não foi uma continuação do episódio do dia anterior. “Apenas fui ver o que acontecia com o meu funcionário e os guardas ameaçaram tiram meu carro do local. Para mim, a GM deve ter autonomia para estacionar a viatura onde quiser”, declara o comerciante.
Douglas questiona muito por que o caso tomou grandes proporções e ameaçaram dar voz de prisão antes do desacato, o que o deixou realmente furioso. “Quando o guarda disse que eu poderia ser preso por desacato, reagi sim e pedi que chamasse a Polícia Militar. Perguntei qual o crime que tinha cometido”, lembra ele. O comerciante reafirma que saiu da praça 7 somente de cueca e que as suas roupas foram devolvidas, mas sem a carteira com documentos, talão de cheque e R$ 1 mil.
O comerciante garante que levou socos no abdômen e no nariz.