Hoje é domingo, Dia Internacional da Mulher.
Era de se esperar que a minha crônica desta semana falasse sobre essa data tão simbólica. Eu própria imaginei que o tema chegaria quase sozinho — como acontece todos os anos — trazido pela enxurrada de mensagens, homenagens e reflexões que começam a surgir logo cedo nos grupos e nas redes sociais.
Mas hoje não estou conseguindo escrever sobre isso. Simples assim.
Preciso ser honesta com vocês, especialmente com as mulheres que acompanham esta coluna semanalmente.
Em nome da sinceridade que sempre tentei cultivar aqui, peço que me perdoem. Hoje, a verdade pesa mais do que o compromisso com o texto.
E olhem que motivos para celebrar não me faltariam. Tenho encontrado pelo caminho mulheres extraordinárias que me ajudam, que me inspiram e que me estendem a mão — sobretudo tantas educadoras que, todos os dias, sem alarde, transformam vidas com paciência, coragem e dedicação.
Mulheres que mereciam hoje um abraço demorado, um reconhecimento público, um texto inteiro só para elas. Mas, mesmo com esses exemplos tão luminosos, algo me trava.
O nó na garganta aperta e os olhos ficam marejados quando penso em quantas mulheres continuam a sofrer violências em silêncio, fora e dentro das próprias casas.
Quando penso nas que lutam sozinhas pelo pão de cada dia, nas jornadas duplas, triplas, nos medos que muitas carregam.
E também sofro quando percebo o quanto ainda nos falta da tão sonhada sororidade — mais compreensão, mais compaixão, mais cooperação entre nós.
Vejo, muitas vezes, competição onde poderia haver acolhimento. Julgamento onde caberia empatia.
E então surge a pergunta que hoje não me larga: o que posso eu, de fato, fazer para ajudar a mudar esse cenário?
Talvez este desabafo não seja a crônica que muitos esperavam ler neste dia. Talvez pareça pouco. Talvez soe até como uma falha.
E talvez seja mesmo.
Por isso peço desculpas — às mulheres que admiro, às que me ajudam, às que resistem todos os dias. Peço desculpas também às minhas leitoras, porque hoje não consigo escrever um texto bonito sobre conquistas e celebrações.
Mas, se há algo que sempre quis ser neste espaço, é verdadeira.
E a minha verdade hoje é esta: há dias em que celebrar parece pequeno demais diante de tantas dores. Talvez o primeiro passo não seja escrever grandes homenagens, mas não fingir que está tudo bem.
Hoje não consigo celebrar.
Mas continuo a acreditar que um dia escreveremos — juntas — uma história melhor.
Nos vemos nas próximas linhas.

