Diziam nossos avós que, em tempos remotos, um fio de bigode possuía mais valor do que qualquer espécie ou modelo de contrato, cheios de cláusulas, e reconhecidos pelas leis vigentes, como estamos habituados a ver. Recordava ele ainda que, naquela época, a fiel palavra empenhada de forma singular e verbal substituía também os conhecidos avalistas de hoje.
Podemos afirmar com muita serenidade e propriedade que naquele tempo viveram e passaram por aqui os verdadeiros e grandes homens de honra e sua época dourada, e que também deixaram seus nomes registrados nos anais da nossa história. Estabelecendo hoje um comparativo entre o que os grandes homens fizeram e construíram no passado; e o que os nossos estão fazendo na presente época, cheguemos então a uma pura e simples reflexão: o que está impedindo que aquela época dourada possa ressurgir das cinzas do passado e que o espírito iluminado daqueles nobres cavalheiros possa quem sabe iluminar também a vida de muitos que nos representa em todos os círculos da nossa sociedade? Qual será o impedimento? Será a falta de cavalheiros? Homens de Honra?
Com certeza, vai existir aquele que vai criticar e dizer: “Ah, mas isso era naquele tempo”. E daí. Por acaso, os pilares sagrados do caráter como integridade e honestidade estiveram, ou estão agora, condicionadas ao tempo passado? Se pensarmos assim, podemos afirmar que honra e dignidade agora estão mortas; e que nos falta apenas enterrá-las. É óbvio que os tempos mudaram sim. Mas as diretrizes, os referenciais, as colunas do caráter não morreram, como preferem muitos hoje. Muito pelo contrário; é que naquela época os grandes homens permitiam ser guiados pelos valores morais. Pois para eles tudo aquilo era mais precioso do que o próprio ouro em barra. Muito diferente dos dias atuais, quando a própria palavra falada, escrita ou por contrato já não possui o mesmo grau de teor moral.
Infelizmente, honestidade transformou-se em alegoria para muitos tirarem proveito para si próprio. A ambição desenfreada após o dinheiro, o luxo, os prazeres está atuando como um dissolvente do caráter. Há entre nós, hoje, homens que não são mais verdadeiros patriotas. Ingressam dissimuladamente na vida pública; mas seu principal objetivo é levar avante sempre aquele velho provérbio: “Entrou na rica Síria pobre, e saiu da pobre Síria rico”. Casos de desonestidade, subornos, traição nos mais altos círculos da administração pública que hoje se inicia no legislativo municipal, chegando até as esferas federais e que já não estarrecem mais a nação brasileira pela sua frequência.
São tantos e acintosos os atentados contra o erário dinheiro público que quase se diria que honestidade é a exceção e não a regra. E agora, o que fazer diante dos fatos? Será que podemos acreditar na campanha da ficha limpa para candidatos que almejam ingressar na vida pública? Lamentavelmente, existe uma distância muito grande entre a dura realidade de hoje com a de ontem. Onde a palavra perdeu a sua veracidade e, quem sabe, até a sua autencidade, por causa da ganância desequilibrada de homens egoístas. Estamos vivendo em uma época em que os valores morais estão sendo espezinhados pelo cinismo mais deslavado.
É preciso reacender no coração deste povo as chamas sagradas da honestidade, que aureolava tantos de nossos maiores. Mas, atualmente, a maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem e nem se vendam, homens que no seu íntimo sejam verdadeiros e honestos. Homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus. Onde estão eles? Citação Final de (Ellen White).

