Tatiana Stock
Imbituba
A Icisa Revestimentos Cerâmicos de Imbituba, percussora do ramo no país, enfrenta uma crise desde 2003. Com a compra da empresa pelo grupo Colleman de São Paulo, em outubro de 2008, retomou a sua produção. E há mais de dois meses teve que cessar os trabalhos por conta da dívida de aproximadamente R$ 4 milhões com a Celesc.
Quando foi reaberta, produzia cerca de quatro mil metros quadrados por dia e tem capacidade estalada para 6,5 mil metros quadrados por dia. De acordo com o diretor André Caldeira, assim que a produção for retomada, o objetivo é produzir de cinco a seis mil metros quadrados por dia. “Estamos nos recompondo com os fornecedores e entrando em contato com bancos. Temos matéria-prima para 20 dias e a equipe quer trabalhar”, enfatiza o diretor.
A Icisa é atendida pelo grupo A, categoria dentro da Celesc voltada a grandes consumidores. O gerente comercial da Celesc em Tubarão, Pedro Paulo de Souza, explica que a estatal entrou com uma ação de cobrança contra a Icisa, que está em juízo, mas os dados são sigilosos.
Para a cidade
O prefeito de Imbituba, José Roberto Martins, há anos luta pela cerâmica e acredita que são muitas as dificuldades enfrentadas pela empresa. Quanto ao impacto econômico na cidade, Beto faz uma comparação com o Porto de Imbituba. “O porto gera mais de mil empregos diretos e indiretos. Antigamente, o número de funcionários da Icisa igualava-se ao porto. Hoje, representa um percentual menor, mas, como Imbituba é uma cidade pequena, o impacto é significativo. Se eles retomarem, com certeza, a economia da cidade ficará muito melhor”, avalia o prefeito.
Trabalhadores
Hoje, dos 220 funcionários da Icisa, 50 que fazem parte do administrativo e serviços gerais continuam a trabalhar, 170 permanecem parados à espera da retomada da produção. Os trabalhadores tiveram que ativar o sindicato e foi realizado um acordo de parcelamento dos salários dos meses de janeiro a março deste ano em dez vezes.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário e da Cerâmica Branca e Vermelha de Imbituba e região, Walmor Amorim, explicou que semanalmente o sindicato reúne-se com trabalhadores e a diretoria da cerâmica. “Agora, eles estão só com o salário de agosto atrasado. Recebemos inúmeras reclamações de trabalhadores, mas, infelizmente, não podemos fazer nada. A questão é fazer o possível para a empresa voltar e cumprir com os direitos dos funcionários”, esclarece Walmor.
Durante um mês, a empresa funcionou sem energia, com a utilização de um gerador. Mas, devido ao alto valor do diesel e aos problemas referentes à produção instável, parou mais uma vez.

