Aagenda é de 2017 Depois de Cristo e, incrivelmente, ainda precisamos falar sobre isso.
Enquanto o gênero for relevante nas questões e decisões em sociedade em que a identidade do indivíduo não faria a menor diferença, falar, agir e fazer refletir se faz necessário.
O preconceito contra o gênero feminino é histórico, milenar, enraizado e está em muitas sociedades pelo mundo e em níveis diferentes. Infelizmente na nossa sociedade essa desigualdade ainda se faz muito presente.
Há muitas maneiras de se falar sobre o assunto “igualdade de gênero” e muitas vozes que falariam com muito mais propriedade do que eu. Por isso escolhi falar do meu jeito. Através da arte.
A arte neste contexto possibilita um diálogo com quem a observa e cria situações que podem se tornar desafiantes para o apreciador. E cabe ao observador desembaralhar a charada e extrair dela a mensagem. Não será muito difícil notar que a construção social da identidade de gênero é tão enraizada que talvez você nunca tenha notado que ela está até num simples jogo de cartas.
Quem sabe isso ajude a ir mais além e perceber a desigualdade numa contratação profissional, num pagamento salarial, num trabalho doméstico, na objetificação do corpo feminino, nas expressões pejorativas, nos esportes e na maneira diferenciada como educamos nossos filhos e filhas.
O mundo se transforma constantemente e a sociedade precisa evoluir quebrando alguns tabus que não condizem com o conhecimento e a racionalidade humana alcançados. Não faz mais sentido algum tratar as pessoas de acordo com seu gênero quando o gênero é irrelevante. Conquistar o direito de ser tratado igual só é possível com muita luta e posicionamento das mulheres e homens que entendem e apoiam a igualdade.
Por isso sou a favor de que se fale, se cobre, se eduque, se cante, se faça arte pra falar sobre o assunto. Até que todos se respeitem como iguais.
Afinal, como bem disse um filósofo contemporâneo, o contrário de machismo não é o feminismo. O contrário de machismo é inteligência.

