Eduardo Zabot
Laguna
Os 1.026 operários que trabalham na obra de construção da ponte Anita Garibaldi, em Laguna, na BR-101 continuam parados. A greve iniciou na última quarta-feira e a expectativa dos trabalhadores era que ontem representantes do consórcio Camargo Corrêa-Artepa/M. Martins/Construbase apresentassem uma proposta de acordo.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de Santa Catarina (Sintrapav) na região, João Batista Garcia Cavalcanti, houve uma intimação para uma audiência no Ministério Público. “Não teve nenhuma uma contra-proposta, mas amanhã (hoje) estaremos em Florianópólis para uma audiência no Ministério Público. O consórcio pediu a ilegalidade da greve e a juíza não concedeu”, relata João Batista. O encontro será às 13h30min.
Segundo o sindicalista, não existe ilegalidade porque os operários querem o que é justo. “A paralisação é ordeira, sem bagunça. Os operários estão parados esperando que os pedidos sejam atendidos”, explica. Os funcionários reivindicam melhores salários, pagamento de horas extras e aumento do percentual.
O extra é pago, mas em um percentual que os funcionários não concordam: até 52 horas de trabalho a mais, recebem 50%; acima deste período, ganham 70%. Eles querem todas com 70% e nos sábados 100%. Representantes do consórcio não se manifestaram sobre a greve.
• BR-101 – pistas complementares à ponte
Abertura das propostas é hoje
Priscila Loch
Laguna
Depois de uma licitação cancelada, abertura de novo processo, dois adiamentos, suspensão por um mês e meio e seis erratas no edital, chegou mais um ‘dia D’ rumo à conclusão total da duplicação do trecho sul da BR-101. Está marcada para hoje, às 9h30min, a apresentação das propostas de empresas ou consórcios interessados em duplicar e restaurar os acessos à Ponte Anita Garibaldi, em Laguna. A torcida é para que nada dê errado desta vez.
Como a licitação das pistas complementares é feita pela modalidade de Regime Diferenciado de Contratação (RDC), a primeira classificada deve ser conhecida hoje mesmo e, caso não haja apresentações de recursos, habilitada em poucos dias.
A concorrência foi lançada em 18 de outubro e suspensa dois meses depois. O pedido partiu do Tribunal de Contas da União (TCU), com a justificativa de que fossem alteradas a Distância Média de Transporte (DMT) do material de jazida, a forma de execução da barreira de segurança dupla e o quantitativo dos serviços de CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), base e sub-base.
O prosseguimento foi autorizado pelo presidente da Comissão Especial de Licitação do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luiz Guilherme Rodrigues de Niello, em 30 de janeiro.
A obra será executada em um trecho de 5,1 quilômetros, na região do acesso principal a Laguna. O preço pelo qual a obra será contratada não foi divulgado. O prazo de vigência do contrato é 720 dias consecutivos, contados a partir da ordem de serviço.
Cerca de 5,1 quilômetros na região do acesso a Laguna ainda serão duplicados.
Obras são propostas para compensar prejuízo com atraso da duplicação
Investimentos em obras macroestruturantes para compensar os prejuízos em decorrência do atraso nas obras de duplicação da BR-101 sul sobre o desenvolvimento da região foram propostos ontem em reunião em Criciúma. O evento foi promovido pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), para apresentar o estudo sobre estes impactos econômicos.
As propostas foram definidas em conjunto com lideranças regionais. Entre elas, estão investimentos no Porto de Imbituba, a conclusão da interligação da BR-285, que liga São Borja com o litoral catarinense, interligação da Ferrovia Tereza Cristina com a malha nacional, ao norte, e também com a do Rio Grande do Sul, além da implementação de equipamentos, estruturas e infraestrutura turística integradas no Sul de Santa Catarina.
O estudo, concluído no fim do ano passado, foi elaborado pela Unisul e apresentado ontem na Sociedade Mampituba, pelo professor Valter Alves Schmitz Neto. O levantamento mostra que, em função da lentidão nas obras na BR-101, deixaram de ser geradas na região, até dezembro de 2012, riquezas equivalentes a R$ 32,7 bilhões. “A infraestrutura de nossa região não está concluída e a Fiesc tem feito um grande esforço para ajudar a criar condições para que o Sul possa crescer”, destacou o vice-presidente regional da entidade para o sul, Diomício Vidal.
Estudo encomendado à Unisul foi apresentado ontem em Criciúma. Foto: Fiesc/Divulgação/Notisul
