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A incontinência urinária feminina ainda é cercada por silêncio, constrangimento e desinformação, embora afete mulheres em diferentes fases da vida. Mais do que uma alteração física, o problema pode comprometer a autoestima, a vida social, a rotina e até os relacionamentos, mas tem tratamento e não deve ser encarado como algo normal.
A data de 14 de março, marcada como Dia Mundial e Nacional da Incontinência Urinária, reforça a importância de ampliar o debate sobre uma condição que segue subnotificada. Segundo a uroginecologista Nadhine Ronsoni, muitas pacientes convivem por anos com os sintomas sem procurar ajuda especializada.
“A grande maioria das mulheres tem vergonha de falar sobre a perda de urina e sofre em silêncio. A perda urinária não representa apenas uma alteração física, mas um fenômeno que repercute diretamente na vida emocional e social. Não se trata apenas de um problema anatômico, mas também emocional”, afirma.
Sintomas afetam tarefas simples do dia a dia
O impacto da incontinência urinária vai além do desconforto. Muitas mulheres passam a reorganizar a rotina com base no medo de perder urina fora de casa, o que limita atividades comuns e amplia a insegurança.
“A paciente passa a sair sempre com vários absorventes diários e até calcinhas extras na bolsa, vivendo com insegurança constante para realizar tarefas comuns do dia a dia, como participar de atividades sociais ou até mesmo ir ao supermercado”, relata Nadhine.
Esse cenário pode levar ao isolamento, à ansiedade e à redução da qualidade de vida, especialmente quando a mulher acredita que o quadro faz parte do envelhecimento ou que não existe tratamento.
Assoalho pélvico tem papel central no controle urinário
O funcionamento adequado do assoalho pélvico é essencial para sustentar órgãos como útero, bexiga e intestino. Esse conjunto de músculos, ligamentos e tecidos participa diretamente do controle urinário e da estabilidade da região pélvica.
Quando há alteração nessa estrutura, podem surgir disfunções como incontinência urinária, prolapsos genitais, alargamento do intróito vaginal, infecções urinárias de repetição e dores pélvicas crônicas.
“Perder urina nunca é normal, independente da idade”, ressalta a especialista.
Entre os tipos mais frequentes está a incontinência urinária de esforço, quando a perda ocorre ao tossir, rir, fazer atividade física ou carregar peso. Já a incontinência de urgência aparece quando a vontade de urinar surge de forma súbita e intensa, exigindo ida imediata ao banheiro.
“Ambas têm tratamento e não precisam ser aceitas como condição permanente”, explica Nadhine.
Bexiga caída e outros sinais exigem atenção
Outro problema relacionado ao enfraquecimento do assoalho pélvico é o prolapso genital, conhecido popularmente como bexiga caída. O quadro pode envolver a descida da bexiga, do útero, do intestino ou a combinação desses órgãos.
Nos estágios iniciais, a condição pode não apresentar sintomas. Com a progressão, podem surgir sensação de peso na região genital, alargamento vaginal, dor durante a relação sexual e sintomas urinários.
“Quando a paciente apresenta esses sintomas já está na hora de buscar um especialista”, orienta.
O enfraquecimento da musculatura também pode causar alargamento vaginal, desconforto nas relações e emissão involuntária de ar vaginal. Segundo a médica, esse conjunto de alterações afeta a percepção da mulher sobre o próprio corpo e pode impactar a autoestima.
Tratamentos variam conforme a gravidade
O tratamento das disfunções do assoalho pélvico depende da gravidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida. Nos casos mais leves, a fisioterapia pélvica costuma apresentar bons resultados.
Quando há maior comprometimento, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos ou minimamente invasivos. Entre as opções, está a perineoplastia, voltada à restauração funcional e estética da região íntima.
“As intervenções são realizadas pelo canal vaginal, sem necessidade de incisões abdominais. Entre as alternativas recentes está um procedimento feito em consultório com a aplicação de fios de colágeno abaixo do canal urinário para sustentar a uretra e corrigir a perda urinária”, diz Nadhine.
Informação ajuda a quebrar o silêncio
Para a especialista, ampliar a discussão pública sobre a incontinência urinária é uma forma de combater o preconceito e facilitar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
“A qualidade de vida da mulher moderna está intimamente relacionada à saúde íntima. Tratar adequadamente as disfunções do assoalho pélvico pode reduzir sintomas como isolamento social, ansiedade e dificuldades nas relações interpessoais. O tratamento adequado reduz o isolamento social, melhora a autoestima e permite que a mulher retome atividades que muitas vezes acabam abandonadas”, afirma.
FAQ: o que saber sobre incontinência urinária feminina
Perder urina é normal com a idade?
Não. Segundo a especialista, a perda urinária não deve ser considerada normal em nenhuma idade.
Quais são os tipos mais comuns de incontinência urinária?
Os mais frequentes são a incontinência de esforço e a de urgência.
Quando procurar ajuda médica?
Quando houver perda de urina, sensação de peso na região íntima, urgência urinária, desconforto ou impacto na rotina.
Existe tratamento?
Sim. Há opções como fisioterapia pélvica, procedimentos minimamente invasivos e cirurgia, conforme cada caso.

