E nquanto o economista Joseph Schumpeter, no início do século 20, reconhecia teoricamente a importância do empreendedor para o desenvolvimento econômico, no solo catarinense já estavam sendo edificadas as bases de grandes negócios. Desde o final do século 19, grandes líderes identificaram oportunidades, combinaram materiais e forças que estavam ao seu alcance, para produzir mercadorias ainda não existentes por aqui ou, ainda, para fabricar os produtos já conhecidos, mas com métodos e processos diferentes. Foram essas novas combinações que geraram mudança e crescimento econômico.
Os exemplos são muitos e presentes em diversos segmentos industriais: alimentos, metalmecânica, têxtil, vestuário, cerâmica, plásticos, móveis, etc. Essa diversidade de iniciativas é que possibilita a todos os catarinenses desfrutarem de uma indústria diversificada e atualizada, e de uma economia forte e resiliente, capaz de enfrentar e superar as crises que surgem com frequência no país.
Mas o empreendedorismo não faz parte do passado. Continua presente no nosso estado e destaca-se na renovação dos segmentos tradicionais, que desenvolveram novos produtos e novos métodos de produção, assim como a geração de novos negócios, seja na indústria de transformação ou em outros setores industriais ou, ainda, nas indústrias emergentes, como a fabricação de equipamentos de transporte nos mais diversos segmentos (automobilístico, ferroviário, aeronáutico), sem esquecer a dinâmica economia do mar, que contempla a indústria naval.
Temos por todo o estado, portanto, exemplos de empreendedorismo, que são a força da inovação. E, em tempos difíceis, como o que vivemos agora, deve-se destacar que esses grandes líderes sempre enfrentaram desafios. Como nos lembra Schumpeter, os empreendedores, apesar de lidarem com a incerteza, não perdem a capacidade de imaginar, intuir um novo caminho. “Tem força de vontade nova e de outra espécie para arrancar, dentre o trabalho e a lida com ocupações diárias, oportunidade e tempo para conceber e elaborar a combinação nova e resolver olhá-la como uma possibilidade real e não meramente como um sonho. Essa liberdade mental pressupõe um grande excedente de força sobre a demanda cotidiana” (Schumpeter, 1934).
É a partir dessa força que a economia catarinense mantém a sua formidável capacidade de renovação ao longo dos anos.

