sábado, 26 setembro , 2026

Industrialização

Satisfatoriamente apresento o amigo pesquisador da semana, professor Marcos Marcelino Mazzucco. Entre suas habilidades encontra-se a vontade de sempre conhecer mais e identificar a origem dos problemas. Busca sempre entender de que forma o conhecimento pode proporcionar uma solução. Sempre a frente de projetos importantes para a região e para a ciência. Procura sempre gerar o desenvolvimento do aluno através do conhecimento técnico e humano. É um entusiasta do empreendedorismo e da inovação. 

Prof. Mazzucco, como é conhecido tradicionalmente na Unisul, é casado há mais de 20 anos com a Marina Pettesen Mazzucco, e pai da Isabela Pettesen Mazzucco, com 18 anos, e acadêmica do primeiro ano do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul. 

Nas palavras do Prof. Mazzucco: “Aprendi muito com a Marina, especialmente a olhar para tudo com mais atenção. Com Isabela, aprendi que é preciso mais atenção ainda para entender um pouco do pouco que as experiências nos trazem. Com as centenas de alunos que passaram por mim aprendi a tentar entender as pessoas e não a lê-las. Gosto de pensar que entender é ser crítico, e que ser crítico é guardar a crítica, quando ela tem poucas chances de produzir melhorias. Talvez isto me deixe um pouco mais perto do significado de mediador que se aplica aos professores. Nada mais me significa que viver é aprender.

Engenheiro Químico e Química Industrial formado pela Unisul 1992/1993, Mestre em Engenharia Química pela UFSC (1997) e Doutor em Engenharia de Produção pela UFSC (2003). Atualmente é coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial do Curso de Engenharia Química do curso Pós-graduação em Energias Renováveis com ênfase em Sustentabilidade, coordenador do Grupo de Pesquisas em Engenharia de Processos (Engepro) e professor titular das disciplinas “Cinética Química”. “Balanços de Massa e Energia” e “Instrumentação e Controle de Processos” na Unisul. Foi coordenador dos cursos de Engenharia Química e Química Industrial e Gerente de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unisul. Suas principias linhas de trabalho incluem controle de processos, redes neurais, algoritmos genéticos, lógica difusa e controle preditivo.

Está semana o prof. Mazzucco traz uma rica reflexão sobre os impactos positivos e negativos da industrialização para o desenvolvimento regional.

Industrialização

Prof. Dr. Marcos Marcelino Mazzucco, Coordenador dos cursos de Engenharia Química e Engenharia de Controle e Automação na Unisul 

(marcos.mazzucco@unisul.br)

Uma cidade é um organismo a serviço das pessoas. Tudo numa cidade é pensado para ser assim, embora, às vezes, se queiram produzir outras perspectivas, as relações entre pessoas e o meio levam, novamente, o ser humano ao primeiro plano. A sustentação desta organização social está no trabalho, pois a proximidade do local deste é uma condição importante na escolha de um indivíduo por seu local de moradia. E isto nos leva a pensar no emprego e no empreendedorismo como ocupações que são condições vitais para que uma cidade exista. 

Essencialmente, os setores industriais e de serviços são os maiores provedores de ocupações que fluidificam as vidas das pessoas e dão forma às cidades. Neste ponto, uma discussão polêmica pode ser introduzida: por quanto tempo é possível estar numa cidade com baixo grau de industrialização? A questão parece ser tola e fácil de responder, mas a resposta ultrapassa o nível individual, quando se pensa nas diversas necessidades de produtos que a sociedade moderna movimenta e em mundo tão heterogêneo. 

Há bens que requerem planos de longo prazo para que as indústrias que os fabriquem possam ser instaladas. Estes planos envolvem várias decisões e a locação é uma delas e, neste nível, a organização e o planejamento de uma cidade contribuem na tomada de decisão. Nos planos dos gestores de nossas cidades e de nosso estado estão metas e ações concretas para proporcionar a instalação de indústrias? Ou a preocupação, predominante, dos gestores está em estabelecer limites, criar leis e ditar procedimentos? Seguramente, se você é um gestor público, seja executivo, legislativo ou judiciário, terá uma resposta, mas se você é um gestor de uma empresa privada ou um empreendedor de porte grande ou pequeno, individual ou informal, responderá de maneira diferente. 

Aqui não está a defesa ou o contraditório da forma como a industrialização é posicionada pela sociedade, em especial por seus representastes políticos ou por seus agentes em serviços públicos, mas está uma provocação para que todos revejamos nossas críticas à industrialização. Ninguém quer ver na rua onde mora várias residências à venda e seus filhos, precisando, ir trabalhar em locais distantes por falta de oportunidades. A produção, a comercialização e o consumo de produtos fabricados localmente são as artérias que levam o fluido do trabalho para os tecidos das cidades, valorizemos muito isso.

Para que a controvérsia se aprofunde, vou introduzir a percepção de muitas organizações sociais e de muitas pessoas sobre a industrialização das cidades e os impactos ao meio ambiente. Com estes elementos quero promover a reflexão sobre dois dos objetivos inclusos em muitos planos de governos, em vários níveis, a promoção do turismo e da informática, especialmente, desenvolvimento de software. Sem dúvida são duas frentes importantes para promover o desenvolvimento de uma cidade, todos querem e isto traz muitas das riquezas que tanto queremos. 

Uma das justificativas é que são atividades “limpas”, mais “sustentáveis”. Mas será que isto produz a proporção dos postos de trabalho necessários para uma população em crescimento, ou nisto se vislumbra a arrecadação de tributos? De onde vem as pessoas que acessam os bens e serviços destes setores? Onde ficam os planos para a indústria? E quem disse que a indústria não é “limpa” e não promove a “sustentabilidade”? 

E, neste ato, trago a defesa da indústria química que, para muitos, é antônimo das palavras destacadas. A indústria química está muito perto de todos e seu maior representante é a construção civil. A indústria da construção civil, é um enorme consumidor de produtos químicos, água, energia e recursos minerais. Então, onde uma nova obra civil começa, muitas indústrias químicas são favorecidas. Isto é bom, mas poderia ser melhor se os fabricantes de materiais para construção civil, e outros consumidores de produtos da indústria química, pudessem estar mais perto dos locais de consumo, pois isto promoveria a distribuição de empregos e a estimulação de novos empreendedores. 

As dificuldades estão em desconcentrar a indústria porque, para muitos produtos, os recursos, materiais e energia, são determinantes da locação, mas também porque as dificuldades para licenciar e operar um novo empreendimento são desestimulantes. E a provocação continua: as universidades não estão sendo atratoras de negócios por suas competências como deveriam ser, seus talentos são pressionados a atender mais a índices de publicação em periódicos e do que em prover soluções tecnológicas. Aqui não está a defesa ou o contraditório da forma como a industrialização é posicionada pela sociedade, em especial por seus representastes políticos ou por seus agentes em serviços públicos, mas está uma provocação para que todos revejamos nossas críticas à industrialização. 

Ninguém quer ver na rua onde mora várias residências à venda e seus filhos, precisando, ir trabalhar em locais distantes por falta de oportunidades. A produção, a comercialização e o consumo de produtos fabricados localmente são as artérias que levam o fluido do trabalho para os tecidos das cidades, valorizemos muito isso.

Você sabia?

O observatório da indústria catarinense da FIESC aponta que a região sul de Santa Catarina atente a 12,1% dos empregos do estado, em penúltimo lugar, na frente, apenas, da região serrana. Em nossa região, a agropecuária, emprega 6%, a indústria 14% e o setor de serviços 11% dos empregados do estado. Na região de Florianópolis predominam os serviços e no Vale do Itajaí a indústria. Em todas as regiões do estado, as microempresas respondem por mais de 85% dos empregos. Na região norte de Santa Catarina e no vale do Itajaí, estão concentrados mais que 70% dos empregos oportunizados por indústrias.

Fique atento!

Nos dias 25 a 29 de novembro de 2019 os cursos de química e engenharia química da Unisul, promovem, no bloco G do campus de Tubarão, às margens da BR-101, a Semana de formação empreendedora. Aplicações de soluções desenvolvidas em indústrias e propostas de novos negócios serão apresentadas e debatidas por professores, alunos e membros da comunidade.

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