Influenciadores digitais divulgaram nesta quarta-feira (28) e-mails enviados em nome do Banco de Brasília (BRB) com pedidos para que comentassem o caso Master em redes sociais e informassem valores para esse tipo de ação. As mensagens citavam, ainda, um convite para um almoço com o atual presidente do banco, Nelson Antônio de Souza.
Após a repercussão, o BRB afirmou que não autorizou a iniciativa. A agência Flap, que mantém contrato com o banco na área de eventos, declarou que agiu sem submeter a ideia previamente à instituição.
Convite e proposta de ação
Os e-mails foram tornados públicos por influenciadores como Renata Barreto e Renato Breia, que relataram ter recebido as mensagens na terça-feira (27). O contato foi feito por meio de uma agência que se apresentava como responsável pela ação em nome do BRB.
Em uma das mensagens direcionadas a Renata Barreto, a proposta detalhava um convite para um almoço em São Paulo com outros influenciadores, com o objetivo de tratar do caso Master.
Segundo o texto, a equipe técnica do banco apresentaria informações sobre a situação, as medidas de contenção de danos e ações de recuperação. A expectativa, de acordo com o e-mail, seria que os convidados compartilhassem as informações de forma “transparente e objetiva” com seus seguidores.
Reação dos influenciadores
As mensagens geraram críticas públicas. Renato Breia, especialista em mercado financeiro, questionou a iniciativa em vídeo publicado nas redes sociais.
“Um banco que tem CDBs no mercado, tem seu RI, precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente do banco para falar bem do banco?”, disse.
Já a empresária Renata Barreto afirmou ter recebido o convite com indignação.
“Não deve ser sério um negócio desses. Vocês que se expliquem para o mercado com transparência ao invés de usar influenciadores para isso”, declarou.
Apesar de os e-mails não conterem pedidos ilegais nem menções a valores ou ataques coordenados a instituições, os influenciadores avaliaram a abordagem como inadequada, considerando o contexto do escândalo envolvendo o Banco Master e a tentativa frustrada de venda ao BRB.
Contexto do caso Master
Em novembro do ano passado, o Banco Central decidiu pela liquidação extrajudicial do Banco Master. No mesmo período, Daniel Vorcaro, dono da instituição, foi preso no âmbito de uma investigação federal que apura fraudes financeiras.
O banco enfrentava risco de falência devido ao alto custo de captação e à exposição a investimentos considerados de alto risco, com juros acima do padrão de mercado. Tentativas de venda, como a proposta apresentada pelo BRB, não avançaram após questionamentos de órgãos de controle e falta de transparência.
Após a liquidação, influenciadores também relataram terem sido procurados para produzir conteúdos críticos ao Banco Central. Esses relatos levaram a Polícia Federal a abrir, nesta quarta-feira, um inquérito autorizado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar uma possível ação orquestrada contra o BC. Esse episódio, porém, não tem relação direta com o caso envolvendo o BRB.
O que dizem o BRB e a agência
Em nota, o BRB afirmou que não autorizou qualquer pedido a influenciadores para tratar do caso Master. A agência Flap informou que a iniciativa partiu de uma cotação interna, sem aval do banco, e que buscava avaliar a viabilidade de um evento institucional.
Segundo a agência, o objetivo seria ampliar o acesso à informação e promover transparência, sem qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial. A Flap ressaltou ainda que a abordagem foi feita sem participação de funcionários do BRB.
