Laguna
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado nesta sexta-feira e o tema traz à tona a problemática enfrentada com a poluição das águas e a consequente escassez do recurso. Uma simples bituca de cigarro jogada na rua pode parecer inofensiva para os fumantes. Conforme pesquisa do grupo americano Legacy, esse é o lixo mais encontrado em praias e cursos d´agua do mundo.
Os dados foram decisivos para o desenvolvimento do projeto Mar de Bitucas, direcionado aos tripulantes de embarcações pesqueiras do litoral sul do estado. Elaborado por acadêmicos do curso de engenharia de pesca da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc), em Laguna, o projeto busca a solução para o correto descarte do poluente.
Para tal, foram instaladas lixeiras específicas a bordo das embarcações Dom Aquino e Dom Quirino, no Terminal Pesqueiro da cidade. As bituqueiras foram adaptadas com chapa de metal e velcro para serem coladas nas paredes.
“Ela pode ser retirada, as bitucas descartadas ao chegarem no terminal e depois ser recolocada”, explica o estudante e idealizador do projeto Nicanor Sanchez. Feito em pvc, o cano da lixeira é antichamas, por ser revestido com alumínio na parte interna, por meio do reaproveitamento de latinhas.
A proposta deve ser adaptada às embarcações, pois Laguna possui mais de cinco mil pescadores artesanais. “Como eles são os donos das embarcações, têm mais liberdade para fazer o que desejam. Diferente das industriais, quando os tripulantes devem seguir regras. O importante é que esse trabalho seja desenvolvido em paralelo com o processo de educação ambiental”, finaliza Nicanor.
São mais de 4 mil substâncias tóxicas
As bitucas de cigarro possuem em sua composição química cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas, entre elas 48 são cancerígenas, como arsênico, resíduos de agrotóxicos e componentes radioativos. Isso tudo, se descartado de forma errada, afeta diretamente a contaminação dos solos e lençóis freáticos, além de obstruir o escoamento superficial de vias públicas. Sem contar nos riscos às fontes de água. O fato do filtro do cigarro ser composto por 95% de acetato de celulose contribui para a decomposição lenta deste material, que leva no mínimo um ano e até cinco para se decompor em ambiente seco.
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