Início Geral Instituição aguarda acordos para não paralisar atendimento pelo SUS

Instituição aguarda acordos para não paralisar atendimento pelo SUS

A falta de leitos pelo SUS é uma situação constante a exemplo do que ocorre em várias instituições hospitalares
A falta de leitos pelo SUS é uma situação constante a exemplo do que ocorre em várias instituições hospitalares

Silvana Lucas
Tubarão

A informação do possível cancelamento dos serviços de média e alta complexidade, realizados no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), deixou a população muito apreensiva. E não é para menos, é a maior instituição da região que atende pelo SUS pacientes do município e de várias cidades vizinhas (confira na tabela o número de atendimentos ao ano de pacientes). 

A diretora geral do HNSC, irmã Jacira Maria dos Santos, anunciou que os motivos são as negociações com os governos estadual e municipal no acerto dos pagamentos em atraso. Se em 90 dias não houver um acordo, a instituição promete fechar as portas e não dar  continuidade à prestação de serviços médicos e hospitalares em alta complexidade, em todas as especialidades para as quais possuem habilitação pelo SUS.

“Ortopedia e traumatologia, gestantes de alto risco, oncologia, cardiologia, vascular, cardiovascular, cardiologia intervencionista, cirurgia vascular, neurologia, neurocirurgia, cirurgia oncológica e cirurgia pediátrica. Coloco todos estes procedimentos à disposição dos gestores. Caso não ocorram os acertos, devem procurar outros prestadores, porque nós não teremos mais o que fazer”, informa a irmã Jacira.

De acordo com o gerente da 20ª Gerência Regional de Saúde de Tubarão, Dalton Marcon, o governo do estado deve um repasse de R$ 1.144.439,92. “Parte deste montante refere-se a procedimentos cardiológicos que a instituição realizou antes do credenciamento com o SUS, valores que serão certamente sanados. A irmã Jacira e seus colaboradores são parceiros da regional e, certamente, providenciaremos os repasses conforme procedimentos administrativos”, explica Dalton.

A posição do executivo
Os representantes da prefeitura de Tubarão não se posicionaram nesta sexta-feira sobre o pagamento reivindicado pelo HNSC, mas provavelmente emitirá uma nota oficial na próxima segunda. O montante é referente às parcelas do convênio 036/2012 da manutenção do setor de emergência, no valor de R$ 443.379,80. Conforme a assessora jurídica do hospital, Cristiani Wernke, existe uma ação que está em cobrança e nos próximos dias encerra o prazo para que o município apresente a sua defesa.

Repasses do SUS
Conforme o HNSC, a planilha de valores repassados pelo SUS está defasada há 20 dias. Além disto, muitos serviços realizados passam dos números contratuais. Um exemplo é a realização de uma cirurgia cardíaca de revascularização do miocárdio com o uso de extracorpóreo (antiga ponte de safena). O SUS paga por este procedimento R$ 6.956,37, dos quais R$ 4 mil são direcionados aos médicos, auxiliares e anestesistas. Ficam com a instituição somente R$ 2.956,00 para gastos hospitalares. 

A situação de uma paciente
A paciente de Pescaria Brava, Maria Salete Fernandes, de 46 anos, internada no setor de emergência, está muito preocupada caso a instituição pare de realizar os serviços pelo SUS. “Estou em tratamento e, possivelmente, terei que passar por uma cirurgia de ponte de safena. Procedimento que se eu não fizer, comprometerá a minha vida”, ressalta Maria.

 

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