sábado, 25 abril , 2026

Instituto Coração de Jesus: Irmãs levam ajuda do Vale à África

Wagner da Silva
Braço do Norte

O trabalho humanitário realizado pelas das irmãs Benardete de Lurdes da Silva e Veronilda de Oliveira, ambas integrantes do Instituto Coração de Jesus, é um exemplo de solidariedade sem fronteiras. De férias, as duas religiosas estiveram em Braço do Norte e aproveitaram a visita para sair em busca de apoio a fim de dar continuidade a projetos sociais na paróquia São Paulo de Larde, na província de Nampula, em Moçambique, na África.

Na última semana, uma conta bancária foi aberta para arrecadar donativos à continuação de projetos sociais. A procura pelas irmãs para saber como ajudar as surpreendeu. “A população de Nampula sobrevive da agricultura e da pesca, em um país que vive praticamente em estado de miséria. Por isso, qualquer ajuda é bem-vinda. Nos surpreendeu a resposta da população de Braço do Norte e da região”, elogia irmã Benardete.

A religiosa Veronilda esclarece que os projetos são voltados principalmente para mulheres e crianças. Na cultura Nampula, são elas que caminham entre cinco e oito quilômetros em busca de água potável para utilizar na alimentação. “Elas precisam de informações básicas sobre saúde, higiene e sustentabilidade”, explica a irmã Veronilda.

Uma das principais ações da dupla católica é o apoio financeiro para a compra de uma área, com o objetivo de disponibilizar um local para abrigar 24 meninas. “Iniciaremos nosso trabalho com estas jovens. Após a escola, vamos oferecer aulas de datilografia, liderança das comunidades, catequese, teologia e pedagogia, além de saúde alternativa e higiene”, detalha irmã Benardete.

Serviço
Para ajudar, basta depositar qualquer quantia na conta corrente 44522-3, variação 01, da agência 0201-1 do Banco do Brasil. “Toda ajuda é bem-vinda. Nossa gratidão às pessoas interessadas em contribuir será eterna”, diz irmã Veronilda.

Diferenças e criatividade nas ações

Além dos projetos sociais, as irmãs Benardete de Lurdes da Silva e Veronilda de Oliveira dizem-se surpresas com as diferenças entre a cultura brasileira e a africana. Mas nada chamou mais a atenção da dupla católica quanto à criatividade da comunidade de Nampula, em Moçambique, onde ambas promovem um trabalho de ajuda humanitária.

Lá, a maioria da população é analfabeta ou com pouca formação. Como não há energia elétrica, não existe computadores. Antigas máquinas de escrever servem como um meio de aprendizagem e informação. “Ela ainda é o meio mais viável de se preencher documentos ou escrever cartas. Quem não tem acesso a isso tem que usar papel e caneta”, explica irmã Veronilda.

A falta de estrutura faz com que a criatividade sobressaia na população. É o caso do transporte de pacientes. Os meios utilizados para este serviço são bicicletas adaptadas com macas. Mesmo em casos de urgência, esta é a única maneira de transportar pacientes. São 20 quilômetros até o posto de atendimento mais próximo de Nampula. Ainda assim, garante irmã Benardete, a felicidade é espontânea no povo. “Eles não tiram o sorriso do rosto nunca. É muito interessante e gratificante ver a mudança e a transformação na consciência das pessoas. Fomos bem recebidas e queremos continuar com este trabalho”, comenta a religiosa.

A comunidade também possui creches, onde as crianças são acompanhadas por monitores e pelas irmãs. “As escolinhas intervêm com projetos a favor da infância, das famílias e do desenvolvimento comunitário. Todas as iniciativas são decididas e planificadas junto às famílias e comunidades”, acrescenta irmã Benardete.

Falta de água
Entre os projetos das irmãs, está a abertura de poços artesianos (foto) na região de Nampula, em Moçambique. A falta de água é um dos principais problemas da comunidade. Um dos fatores que dificultam o desenvolvimento na agricultura familiar é a questão climática. Em todo Moçambique, o clima é semi-árido com períodos escassos de chuva, o aumento da aridez do solo dificulta o acesso da população à água. Daí a necessidade urgente destes poços artesianos, especialmente porque os períodos de seca são extensos no país.

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