Rafael Andrade
Tubarão
Os familiares do empresário Euclides Cardoso Júnior, de 37 anos, bem como os de Cristiano da Silva, Lourival Henrique Marques, Bento de Souza e tantos outros mortos nos últimos meses em Tubarão, seguem cheios de interrogações a respeito do assassinato de seus entes queridos.
Euclides foi morto na sexta-feira, no bairro Revoredo, às margens da BR-101. Durante todo o sábado, mais uma família veio às lágrimas durante o velório do jovem empresário, proprietário da JF Guinchos, no bairro Passagem.
Ele foi a quinta vítima de homicídio somente neste ano na Cidade Azul. Enquanto a polícia não desvenda o que houve, a sensação de impotência, insegurança e impunidade cresce entre a população.
“Não me sinto seguro. Fui assaltado duas vezes em 30 dias. Os ladrões não usam mais faquinhas de cozinha e sim revólveres e até pistolas. Tubarão está muito violenta”, avalia um comerciante do bairro São Martinho.
O delegado Marcos Ghizoni, da Central de Operações Policiais (COP) de Tubarão, comanda as investigações do assassinato de Euclides. Desde a primeira hora após o fato, um alerta geral foi expedido às delegacias do sul do estado. O delegado regional em Tubarão, Renato Poeta, também esteve no local do crime e alertou todas as centrais.
Peritos de Lages e Florianópolis estiveram em Tubarão para auxiliar na coleta de informações e evidências. “É um caso lamentável. Mas não posso me pronunciar até que o crime seja elucidado”, resume o secretário estadual de segurança pública, Ronaldo Benedet.
A morte de Euclides
O assassinado chegou a pé, perto do meio-dia de sexta-feira no terreno do bairro Revoredo, onde o empresário Euclides Cardoso Júnior, de 37 anos, comandava uma obra para transferir sua empresa. Chovia fraco. Euclides trajava camiseta, bermuda e chinelo. A vítima e o engenheiro responsável pela construção das futuras instalações da JF Guinchos estavam abrigados na casa de ferramentas.
O homicida perguntou para Euclides e o engenheiro quem era o Júnior. O empresário respondeu e o homem começou a atirar. Ao todo, foram seis disparos. Euclides tentou fugir, mas caiu cerca de 30 metros depois porque seu chinelo arrebentou. Cruelmente, o assassino aproximou-se de Euclides e efetuou um último tiro, na cabeça do empresário.
Crimes podem ter ligação
Há pouco mais de três meses, o sócio-proprietário da empresa JF Guinchos, Bento de Souza, de 56 anos, foi assassinado por 11 tiros, no peito, cabeça, barriga e costas, na comunidade de Pedrinhas, em Pedras Grandes. Segundo a polícia o(s) assassino(s) de Bento podem estar envolvidos com a morte de Euclides.

