Bastante comum nos Estados Unidos, que se divide entre Republicanos e Democratas, é de causar espanto a maneira como a polarização até certo ponto maniqueísta se instalou na democracia brasileira. Afinal, de que lado ficar? Acalorados debates levam o público a decidir: quem não é contra, é favorável. Seriam a favor do “petrolão” quem se posicionasse contra o impeachment?
Ora, esse raciocínio de dividir o mundo em dois, de demonizar o outro, classificar as pessoas como o lado do bem e do mal, ficar entre Deus e o Diabo, mocinho e o vilão, enfim, a polarização, é muito cruel. Julgar o outro como a essência da bondade é esquecer o que se é: humano! Os excessos ingênuos nos julgamentos polarizados das ruas desumanizam a política e transformam em “bonzinhos” aqueles que se aproveitam da situação instável dos mandatários federais para a escalada rápida do poder.
Quem ainda não percebeu que deputados que tanto se beneficiam das verbas públicas para fins eleitorais agora se tornaram os defensores da correta aplicação do dinheiro público, da regularidade do orçamento? Até pouco tempo, recebia-se o absurdo de um 18º salário nos parlamentos estaduais e federal, e as verbas extras que todos conhecem ainda são um luxo incompatível com a realidade brasileira.
Pois, se realmente está na hora de escolher um lado, que o brasileiro olhe em sua volta, fique atento à política, ao voto nas eleições municipais, claro, mas também perceba que, além de tudo o que estampa o noticiário político, sempre haverá uma escola pública sucateada e abandonada por gestores incompetentes que ficaria grata de receber algumas horas de seu trabalho voluntário. E o que falar das doações de sangue, que principalmente são baixas nos meses de inverno e podem salvar vidas? Não precisa ter dinheiro para fazer o bem, basta ser cidadão. E as opções são variadas. O que você vai escolher?