Tubarão
Estudos apresentados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Mistério da Saúde indicam que o Brasil tem experimentado crescimento vertiginoso dos problemas relativos à saúde mental e emocional.
Segundo dados do ano passado da OMS, a sociedade brasileira é a recordista latino-americana em casos de depressão, a campeã mundial em relação à ansiedade e a quarta colocada no crescimento das taxas de suicídio entre os jovens da América Central e da América do Sul.
São altos os índices de violência (em domicílios, no trânsito ou em escolas), criminalidade, suicídios, alcoolismo, drogadição, depressão, preconceitos, entre outros, que colocam em risco o equilíbrio mental, emocional, comportamental e relacional dos indivíduos. Porém, de acordo com o psicólogo Leonardo Abrahão, idealizador da Campanha Janeiro Branco, o assunto ainda é pouco discutido.
“Com a Campanha Janeiro Branco, pretendemos estimular a criação de uma ‘cultura da saúde mental’ e, ao mesmo tempo, difundir um conceito ampliado de saúde mental/saúde emocional como um estado de equilíbrio – individual e coletivo, sem o qual não é possível viver satisfatoriamente em sociedade. Escolhemos o mês de janeiro para mobilização pelo fato de que, por força cultural da simbologia atribuída à virada de ano, as pessoas estão predispostas a pensar sobre as suas vidas em diversos aspectos e a cor branca, porque, também simbolicamente, queremos mostrar às pessoas que, como em uma folha em branco, qualquer um pode escrever e reescrever sua própria história, desenhando e redesenhando novas possibilidades perante a vida”, pontua Abrahão.
A Campanha nasceu em Uberlândia (MG) em 2014 e tem o slogan “Quem cuida da mente, cuida da vida”. A psicóloga e professora da Unisul Rosane Romanha explica que a proposta da campanha é tratar de prevenção. Segundo ela, previsão da OMS, por exemplo, aponta que em 2020 a depressão será a doença que mais vai incapacitar as pessoas. Com isso, pode haver também aumento nos casos de suicídio.
Nem todas as pessoas que sofrem de depressão têm pensamentos de morte, porém, dependendo do caso, pode existir relação entre a doença e o suicídio. Em todo o mundo, a cada 40 segundos uma pessoa vai a óbito por suicídio, segundo Rosane.
Para a professora, o aumento dos problemas mentais e emocionais está relacionado ao estilo de vida atual. “As pessoas estão mais individualistas, sentem uma solidão afetiva. Elas não conversam mais, só trabalham e pensam em adquirir. Isso tudo vai acumulando e pode resultar em ansiedade, depressão, entre outros”, diz.

