Tubaronense de boa cepa, Joe Collaço, nascido a 21 de outubro de 1889, teve o privilégio de viver intensamente o jornalismo carioca, quando a imprensa (a que imprime) era o único meio de informação e comunicação existente no Brasil. O rádio, aí, era só um ensaio e a televisão, que veio bem mais adiante, apenas um sonho.
De seus estudos, foi no clima apoteótico da transição do império à república que o menino Joe, em sua cidade, Tubarão, aprendeu a ler e escrever. Matriculou-se no Colégio das Irmãs da Divina Providência (Colégio São José). Em seguida foi para o Ginásio Tubaronense. Um passo adiante, já rapagão bem apessoado, alto, loiro, de cabelo engomado e trajando com elegância, chegou, então, ao Ginásio Catarinense, dos padres Jesuítas, em Florianópolis.
Muito bem sucedido nos bancos escolares catarinenses, em 1908, Joe quis mais e foi tentar ser médico. Seguiu, então, para o Rio de Janeiro. No curso, porém, não foi além da quarta etapa. Em uma guinada em sua vida de estudante deu-se ao jornalismo e, com a mesma força, ao teatro e ao pleito de advogado. Colou grau em direito em 1922 na universidade carioca.
Nos jornais do Rio o tubaronense começou praticando redação sob o pseudônimo de Renato Pio; depois voltou a ser Joe. Escreveu para os grandes Folha do Comércio, Novidade, Folha da Manhã, Gazeta de Notícias e O Diário. Escrevia sempre com muita ecleticidade e senso crítico. E quando lhe “davam corda” vinha com o tema Anita Garibaldi, assunto que sempre fazia sucesso. Destacou-se também como repórter investigativo e logo virou redator.
Com uma longa pauta pela Gazeta de Notícias, Joe Collaço fez uma viagem de seis meses ao nordeste brasileiro. Juntou matérias em Pernambuco, Bahia, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, e nelas deixou sua marca de qualidade sob o título “Fora do Rio”.
No mesmo chão carioca Joe alinhou-se aos jovens teatrólogos da recém fundada Escola Dramática e, cursando-a por completo, de cronista e crítico, logo virou um produtor de algumas peças que chegaram à boca de cena. Delas se destacaram A trachéotomia e O Segredo de Bias. Nos bastidores Collaço idealizou e lutou muito pela criação do Teatro Pequeno, uma nova forma de fazer arte – mais acessível ao público – cujo esforço só rendeu frutos em maio de 1916, quando já não estava mais lá; a estreia foi no badaladíssimo “Municipal”.
Joe só deixou o Rio de Janeiro em 1914, para ser Oficial de Gabinete do governador Felipe Schmidt eleito até 1918 em Santa Catarina. Mesmo assim o jornalista não parou: foi um dos fundadores do jornal “O Estado”, em 1915, e teve seu próprio jornal, o Tribuna Popular.
Seguindo na lide política, elegeu-se deputado para o Congresso Representativo. Na gestão de Hercílio Luz (seu futuro sogro) foi ser chefe da Casa Civil do Palácio e secretário do interior e justiça. E, na mesma linha de atividade, ocupou o cargo de procurador da justiça do Paraná. Lá escreveu para os jornais Gazeta do Povo e A República, de Curitiba.
Joe Collaço, filho do líder político coronel João Luiz Collaço e Elisa Georgina Nunes Barreto, foi casado com Carmem Maria Ferreira da Luz, filha de Hercílio Luz, jovem que em 1922 vencera o concurso da Mais Bela Mulher Brasileira – edição estadual. O casal teve apenas um filho, Hercílio da Luz Collaço. O tubaronense é um dos co-fundadores da Academia Catarinense de Letras, e primeiro ocupante da Cadeira 21.
Joe Collaço também quase virou nome de cidade, quando, em 1922, Tubarão deu ao Distrito de Braço do Norte o novo nome de Collaçópolis, em sua homenagem. Em seguida, porém, o lugar voltou ao seu nome de origem. Joe Collaço faleceu a 12 de setembro de 1951.

