Amanda Menger
Tubarão
De um lado os trabalhadores, de outro os empregados. É assim, polarizado, que começam os debates em torno da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A câmara dos deputados começou nesta semana a rodada de discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95, que diminui a carga horária. Ainda não há previsão de quando a matéria irá a votação no plenário.
Para a presidenta do Sindicato dos Comerciários de Tubarão e Região, Elizandra Rodrigues Anselmo, a redução poderá criar empregos. “A tendência é que os empresários contratem mais pessoas para suprir a demanda. Além disso, tem a melhoria da qualidade de vida dos funcionários”, argumenta a sindicalista. Esta visão é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário de Tubarão e Região, Carlos Zamparetti. “Defendemos a jornada de 40 horas porque a maior parte dos trabalhadores desta área são mulheres. Elas terão mais tempo para a família, e assim trabalharão melhor”, avalia Zamparetti.
As justificativas dos sindicalistas são rechaçadas pelos representantes dos empresários. “Este é um projeto eleitoreiro. A redução da jornada aumentará o gasto das empresas com os empregados e isso terá que ser repassado para o preço final. Não tem como ser competitivo desta forma”, argumenta o presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Eduardo Nunes.
Além da possibilidade de desemprego, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tubarão, Walmor Jung Júnior, vê outro problema na PEC. “O projeto aumenta de 50% para 75% o valor da hora extra. Não é assim que teremos a geração de emprego. Acredito que só poderemos criar novas vagas com uma Reforma Tributária”, pondera Walmor.
Dieese defende
a redução
A nota técnica formulada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresenta 17 argumentos na defesa da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Entre os principais pontos, está a diminuição dos índices de desemprego.
“A média de desemprego hoje nas capitais brasileiras é de 15%. Com a redução da jornada, poderá se gerar 2,3 milhões de empregos. Com isso, mais trabalhadores terão renda e poderão consumir. A consequência é a geração de mais empregos”, observa o supervisor técnico do Dieese no estado, José Álvaro Cardoso.
O Dieese fez um cálculo sobre o aumento dos custos de produção. “Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a força de trabalho custa hoje para a indústria 22%; já a redução da jornada, teria um custo de 1,99%. No produto final, teríamos que calcular o que representa 1,99% sobre os 22%. Na verdade, o aumento é pequeno e pode ser absorvido, parte pela empresa, e parte pelos consumidores”, diz José.
Outro ponto considerado fundamental para a Dieese é apropriação dos ganhos de produtividade por parte dos trabalhadores. “Desde a última redução de jornada, em 1988, a produtividade cresceu 84,2%, mas isso não foi repassado para os trabalhadores”, afirma o supervisor técnico.

