O segundo dia de julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus pela suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado por duras críticas às provas apresentadas pela acusação, à delação de Mauro Cid e à conduta do ministro Alexandre de Moraes. As defesas do ex-presidente e de três generais pediram absolvição e afirmaram que não há elementos que comprovem participação em tentativa de golpe.
Defesa de Jair Bolsonaro
Os advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno sustentaram que não há “uma única prova” ligando Bolsonaro aos ataques de 8 de janeiro ou ao plano de assassinato de autoridades.
A defesa afirmou que a delação de Mauro Cid é “inconsistente” e repleta de contradições. Vilardi disse que o ex-ajudante de ordens foi “induzido” a citar Bolsonaro e que o processo avançou rapidamente, sem dar à defesa tempo suficiente para analisar as provas — mais de 70 terabytes de dados.
“A prova produzida mostra que o presidente Bolsonaro determinou a transição para o governo Lula”, afirmou o advogado, negando qualquer tentativa de ruptura democrática. A defesa pediu absolvição e classificou como “não razoável” a possibilidade de pena de 30 anos de prisão.
Defesa de Braga Netto
O advogado José Luís Oliveira Lima, que representa o general Braga Netto, criticou a delação de Mauro Cid, dizendo que ela “não se sustenta” e contém “mentiras”. Para ele, não é possível condenar com base em “prints adulterados e narrativas sem provas”.
Braga Netto está preso no Rio de Janeiro, acusado de obstruir investigações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que ele coordenou as ações mais violentas do grupo golpista.
Defesa de Augusto Heleno
O advogado Matheus Mayer Milanez, que defende o general Augusto Heleno, questionou a conduta do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o relator assumiu papel de “juiz inquisidor”.
Milanez negou que Heleno tenha pressionado militares por golpe ou que tenha usado o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para fins políticos. Também destacou que o ex-ministro se afastou de Bolsonaro no fim do governo.
Defesa de Paulo Sérgio Nogueira
Representado por Andrew Fernandes, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira foi apontado como alguém que teria tentado dissuadir Bolsonaro de tentativas golpistas.
Segundo a defesa, ele não participou de reuniões decisivas da trama e chegou a sofrer ataques virtuais de grupos bolsonaristas. “Está mais do que provado que o general Paulo Sérgio é inocente”, disse o advogado.
Próximos passos
O julgamento foi suspenso após quase quatro horas de sessão nesta quarta-feira (3) e será retomado na próxima terça-feira (9), com o voto do relator Alexandre de Moraes.
A PGR acusa Bolsonaro e seus aliados de liderarem uma organização criminosa e de articularem atos para abolir o Estado Democrático de Direito. As sessões seguem até 12 de setembro, quando deve ser conhecida a sentença.

