Lamentavelmente, nos últimos dias, a sociedade criciumense viu mais um óbito provocado por transporte de casa em via pública. Essa equivocada prática, muito recorrente nesta região traz a baila um questionamento ao qual não podemos nos afastar: quantas pessoas ainda devem morrer para que o poder público adote as medidas que a lei determina em detrimento da postura “politicamente correta”.
Estamos novamente sendo varrido por um vendaval de conceitos políticos e filosóficos, particularmente por entidades que buscam destruir nossas tradições cristãs.
A discussão se refere ao Estado laico, levando um bom número de pessoas intelectualizadas (se realmente forem), a gerar uma verdadeira confusão mental e política na sociedade.
Constitucionalmente o estado brasileiro é laico; que bom que assim o seja. Nesta condição, presume-se a ideia de neutralidade, não ingerência sobre questões religiosas. Implica haver liberdade para os cidadãos manifestarem sua crença religiosa, qualquer que seja ela, sem haver controle ou imposição de uma religião específica; tem como princípio a imparcialidade sobre temas religiosos, sem apoiar ou discriminar nenhuma manifestação.
Poucos são os países não laicos; se enquadram de maneira geral os países islâmicos e Israel; chamados países de Estado teocrático. Nestes o estado é “subjugado” por uma fé ou religião. Em muitos há intolerância a outras crenças em suas fronteiras, principalmente por grupos ditos fundamentalistas. Somente Israel tem tolerância total; aceita todas as demais confissões, inclusive o Islã sua inimiga bíblica.
Desde os primórdios, a Igreja Católica, sempre aceitou e apoiou a separação entre a autoridade espiritual e o poder temporal de reis, príncipes e imperadores, sem jamais admitir ódio recíproco. As relações passaram a tomar corpo normativo, onde se estruturou toda a civilização ocidental. O Magistério da Igreja, sempre apoiou o sentido da autonomia de modo que cada lado possa colaborar com a outra na busca de suas finalidades precípuas.
Por exemplo, o estado laico, impõe uma identidade para cada cidadão ao nascer; a igreja aceita com tranquilidade esta exigência, não exigindo outra, pelo simples fato de ser batizado religiosamente.
O laicismo derivado da palavra laico procura por outro lado, secularizar toda a esfera privada e impor aos cidadãos de uma sociedade, um estilo contrário à religião e outras formas da cultura.
Transforma-se em um movimento político/ideológico totalmente contrário à liberdade de culto; manifestação pública de crenças, com forte apelo de argumento laiscista na esfera das opiniões.
Todos os povos que se formaram ao longo da história, trazem tradições, experiências sociais e políticas, mas, somente se mantiveram unidos através de uma força transcendental assumida: a fé religiosa.
O Brasil tem uma tradição assentada na fé cristã. Agora aparecem arautos da pós-modernidade, ateus de carteirinha, sem qualquer significado estatístico, querendo destruir toda nossa história, mexendo com o maior símbolo cristão: a cruz. (veja: “Estamos a um passo da barbárie” – Jornal do Brasil – 17/03/2012).
Será que não há mais a fazer no Brasil, exceto combater símbolos religiosos e tradicionais, empunhando a bandeira do laicismo?

