Silvana Lucas
Laguna
Depois de dez dias do início da ocorrência de milhares de peixes mortos nas águas das lagoas Santo Antônio dos Anjos, Mirim e Imaruí, localizadas na região de Laguna, Imaruí e Tubarão, foi divulgado ontem um laudo preliminar sobre o acidente ambiental. Os exames apontaram alterações na temperatura da água como principal fator.
Conforme informações divulgadas pelos profissionais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a diferença encontrada no exame é referente à temperatura da água, que está dois graus acima da temperatura medida nesse mesmo período do ano passado, quando registrou 24 graus célsius.
“Não se pode descartar a possibilidade de um evento natural ao associar temperaturas elevadas, baixa circulação da água, aporte de nutrientes que levaram a eutrofização da água e prejudicaram espécies mais sensíveis”, informa o professor do curso de engenharia de pesca da Udesc, e um dos responsáveis pelo laudo, Cristian Berto da Silveira.
Conforme a professora integrante dos exames, Aline Fernandes de Oliveira, o fato do estuário ter uma dinâmica muita rápida e pela coleta de água ter sido após quatro dias do início da morte dos peixes, o resultado pode não refletir as condições que desencadearam o problema.
“Sugerimos uma nova análise química investigativa para identificar e quantificar a presença de possíveis contaminantes”, ressalta Aline.
Para o coordenador da pesca, de Imaruí, Marcelino Ribeiro da Silva, as mortes na região, já diminuíram, mas não terminaram. “Nos últimos dias ainda observei peixes em estado agonizante. Situação que somente presenciei há dez anos, quando as lagoas foram poluídas por agrotóxicos das plantações de arroz. Este acidente precisa ser melhor investigado”, reivindica Marcelino.

