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Um leão-marinho foi flagrado descansando sobre as pedras dos Molhes da Barra, em Laguna, no Sul de Santa Catarina. A cena chamou a atenção pela presença do mamífero marinho em um dos pontos mais conhecidos da cidade. Embora desperte curiosidade, a visita desses animais ao litoral catarinense é considerada natural, especialmente durante o inverno e a primavera, quando aumentam os registros da espécie na região.
Os molhes oferecem condições para que os animais permaneçam fora da água durante seus períodos de descanso. Mesmo aparentemente imóveis, os leões-marinhos podem estar apenas recuperando energia depois de longos deslocamentos pelo oceano.
Leões-marinhos chegam do Uruguai e da Argentina
O leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens) habita o litoral atlântico e pacífico da América do Sul. No Atlântico, suas principais áreas de reprodução estão localizadas no Uruguai e na Argentina.
Após o período reprodutivo, parte dos animais, especialmente os machos, desloca-se em busca de alimento. Durante essas viagens, alguns chegam ao Rio Grande do Sul e avançam até Santa Catarina.
Os leões-marinhos são excelentes nadadores e conseguem percorrer centenas de quilômetros pelo oceano. Estudos científicos registraram viagens de alimentação superiores a 800 quilômetros.
Esses deslocamentos estão associados à disponibilidade de peixes e outros organismos marinhos utilizados na alimentação da espécie.
Embora muitos dos animais encontrados no Sul do Brasil estejam associados às populações do Uruguai, a origem exata do indivíduo observado em Laguna somente poderia ser determinada por meio de acompanhamento científico.
Outubro está entre os meses de maior ocorrência
A presença de leões-marinhos no litoral sul-brasileiro é mais frequente entre o inverno e a primavera, especialmente de junho a novembro.
Em outubro, período em que ocorreu o flagrante nos Molhes da Barra, esses animais ainda podem ser observados descansando em praias e formações rochosas.
Pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul apontam concentrações sazonais em locais como a Ilha dos Lobos, em Torres, e o Molhe Leste, em São José do Norte.
Em Laguna, os molhes representam um ambiente adequado para o descanso temporário desses visitantes. Entretanto, ainda não há uma série estatística local confirmada que permita identificar o mês com o maior número de registros no município.
Udesc Laguna participa de monitoramento da fauna marinha
A presença de mamíferos marinhos na região é acompanhada pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que conta com a participação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do campus de Laguna.
O projeto é desenvolvido como condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras, sob acompanhamento do Ibama.
As equipes monitoram praias, registram ocorrências e prestam atendimento a animais marinhos debilitados, incluindo leões-marinhos, lobos-marinhos, tartarugas e aves.
Na Udesc Laguna, o trabalho tem a participação do professor Pedro Volkmer de Castilho, que atua na coordenação do projeto.
As informações coletadas contribuem para conhecer os hábitos, deslocamentos e condições de conservação das espécies.
Animal deve ser observado à distância
A orientação dos especialistas é manter distância e permitir que o leão-marinho permaneça em repouso.
A população deve evitar tocar no animal, oferecer alimentos ou tentar conduzi-lo de volta à água. Cães também precisam permanecer afastados, pois podem provocar reações defensivas.
Apesar da aparência tranquila, trata-se de um animal selvagem, forte e capaz de causar ferimentos quando se sente ameaçado.
Em situações de risco ou quando houver sinais de debilidade, o Projeto de Monitoramento de Praias pode ser acionado pelo telefone 0800 642 3341.
A presença do leão-marinho nos Molhes da Barra reforça a riqueza da fauna marinha de Laguna e a importância de respeitar os ambientes utilizados por esses animais.
Para os moradores e visitantes, o flagrante representa uma oportunidade de observar de perto um mamífero que pode ter percorrido centenas de quilômetros pelo Atlântico Sul antes de escolher as pedras dos molhes para descansar.

