Wagner da Silva
Braço do Norte
Quem consome leite e seus derivados vai pagar mais pelos produtos. Normalmente registrada na entressafra, a queda no litro do leite no último trimestre chegou à R$ 0,13 – ou aproximadamente 18% – em média no estado. Agora, a previsão é que ocorra um aumento de 30% no valor do litro do produto em Santa Catarina.
No Vale do Braço do Norte, região destaque na produção leiteira e derivados, o Conselho Paritário Produtores/Indústria de Leite (Consleite) prevê um aumento ainda maior até julho, especialmente se a referência for com o preço mínimo pago ao produtor no mesmo período do ano passado, quando o valor, o melhor dos últimos cinco anos, chegou a R$ 0,77.
Se o aumento chegar ao estimado, o preço do litro de leite deverá passar de R$ 0,50 para R$ 0,68. O presidente do Consleite e do Sindicato das Indústrias de Lacticínios e Derivados de Santa Catarina (Sindileite), Arley Felipe, explica que na entressafra o preço é tradicionalmente readequado.
Paralelamente a isso, o setor leiteiro passa por um período bastante diferenciado em relação a 2009. Até o início do ano o produtor enfrentava a concorrência da importação. Com dólar baixo, o Brasil precisou comprar muito mais leite. O resultado veio nos preços muito baixos pagos ao produtor.
“Agora a situação tende a se inverter porque o governo brasileiro passou a taxar a importação de países como Argentina e Uruguai, grandes produtores da América do Sul”, acrescenta Felipe. O Vale produz uma média de cinco milhões de litros de leite por mês.
Para o consumidor, preço do litro
do leite já subiu 27% neste ano
Este sobe e desce do mercado produtor de leite já surtiu reflexo no bolso do consumidor. Em janeiro deste ano, o litro de leite em caixa era comercializado a R$ 1,25 na região. Hoje o mesmo produto é comercializado a R$ 1,59, um aumento em torno de 27%.
“O preço oscila muito, não temos como comparar o custo de produção com o do mercado. Há vários fatores que precisam ser levados em conta. O fato é que haja queda ou alta no valor do produto, o repasse é feito ao consumidor”, resume o mercadista Antonio José da Silva, de Braço do Norte.

