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Leitura é a melhor maneira de aprendizagem

A professora enfatiza que a leitura é o principal fator de aprendizagem para adaptação ao novo acordo.
A professora enfatiza que a leitura é o principal fator de aprendizagem para adaptação ao novo acordo.
Eduardo Zabot
Tubarão


Diz o ditado que ler é o melhor remédio, e essa teoria aplica-se muito bem às novas regras do acordo ortográfico. Ou seja, para que você conheça bem as mudanças em algumas palavras, a dica é ler para aprender.
A professora do Colégio Dehon Suelen Francez Machado Luciano, assistente acadêmica do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem, lembra que as novas regras ortográficas devem estar incorporadas até 2016.
“Toda mudança nos tira da zona de conforto, então, no primeiro momento, existe rejeição com o incentivo dos professores e da leitura diária haverá a aceitação”, ensina a professora. E destaca que a mudança na ortografia é importante para a comunicação entre as pessoas. “Quem escreve bem tem bons argumentos e tem bom desempenho nas relações sociais, principalmente no mercado de trabalho”, justifica.

A convenção do acordo ortográfico é um acompanhamento das mudanças no dia a dia da pessoas. “É preciso acompanhar as mudanças do mundo e o acordo vem ao encontro com isso, é fundamental para que haja comunicação”, ressalta.
Para ela, aprender uma língua é apoderar-se de um importante instrumento de comunicação. “Tendo isso em vista, nosso objeto vai além de preparar os alunos para as provas de língua portuguesa e redação dos vestibulares, uma vez que uma maior compreensão de nosso idioma vai auxiliá-los em todas as outras matérias, e, mais ainda, na vida”, conclui Suelen. 

Entenda o acordo ortográfico

O acordo é um documento assinado em 1990, que tem o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e como objetivo unificar as regras de escrita em todos os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. Apenas as regras de implantação, porém, as ortográficas continuam as mesmas. Em 1990, quando foi assinado, a previsão era de que o acordo entraria em vigor em 1994, mas dependia da ratificação de todos os países. Como isso não ocorreu, foi alterada em 2004 para que o documento entrasse em vigor com a ratificação de três dos oito países lusófonos.
O Brasil foi o primeiro a ratificar o protocolo que alterou a regra. O governo de cada país deve autenticar o acordo assinado e definir prazos para que ele entre em vigor internamente. Segundo a CPLP, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe já ratificaram o acordo. Timor Leste, que em 1990 ainda não era uma nação independente, também já aderiu. Angola é o único país-membro da CPLP que ainda não confirmou o acordo.

Novas regras entram em vigor em três anos

A obrigatoriedade do uso do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, assinado em 2008 e previsto para entrar em vigor no dia 1º de janeiro deste ano, foi adiada por mais três anos. O novo prazo para entrada em vigor do acordo é 1º de janeiro de 2016. A presidenta Dilma Rousseff assinou um decreto redigido pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE) e publicado no Diário Oficial da União. O novo prazo foi definido durante reunião de um grupo interministerial composto, além de membros do MRE, por técnicos do Ministério da Educação e da Casa Civil.

A língua portuguesa

Segundo a professora Suelen Francez Machado, a ortografia é um sistema de regras elaborado para escrever de maneira padronizada as palavras de uma língua. A padronização, que é resultado de uma convenção entre acadêmicos, tem como propósito facilitar o intercâmbio escrito entre todos os falantes do idioma. “Embora o período de transição tenha sido prorrogado de 1º de janeiro de 2013 para 1º de janeiro de 2016, já faz tempo que os textos têm sido redigidos em sintonia com o novo acordo ortográfico”, avisa. Hoje, existem várias obras que tratam destas regras, porém, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é a referência oficial, com a autoridade da Academia Brasileira de Letras quanto à grafia e à classificação dos vocábulos da língua portuguesa.

A preocupação com a pedagogia

Senadores que integram a Comissão de Educação, Cultura e Esporte acreditam que parte da dificuldade de adesão dos brasileiros às novas regras é culpa da falta de debate em torno do tema. Os senadores pretendem elaborar um projeto de lei para adiar a implantação do documento, mas, em conversas com os ministérios, decidiu-se que a melhor abordagem seria por meio de um decreto.
A ideia de substituir o projeto de lei por um decreto presidencial serve para facilitar do ponto de vista legislativo. Um projeto de resolução criaria alguns problemas de ordem legal em função de ser um acordo internacional. Além da prorrogação, os senadores tem uma preocupação com o sistema pedagógico no país.
A implantação do acordo avançou menos nos demais países e tem recebido críticas da população. Assim como o Brasil, a entrada em vigor das novas regras deve ser adiada por mais três anos, momento oportuno para corrigir as principais questões. Para os senadores, o fato de o acordo ter sido pensado na década de 1970, quando o sistema educacional era muito diferente do atual é preocupante.

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