Para quem não sabe, Leon Eliachar era um espirituoso egípcio, muito bem feito ao melhor estilo carioca. Chegou ao Brasil aos dez meses de idade e, infelizmente, teve uma morte trágica. Aos 55 anos, morreu assassinado. Envolveu-se seriamente com uma mulher casada e o marido dela, um abastado fazendeiro, o matou.
Mas, enquanto viveu, Eliachar viveu, e muito bem, de suas crônicas jornalísticas e das maravilhosas “tiradas”; máximas muito bem humoradas que publicava com boa assiduidade em vários periódicos e revistas de circulação nacional.
E dessas, uma das melhores foi dizer que “…O ano novo só é novo no primeiro dia”. Pura verdade!
Tanto que, passado o famoso 1º do ano, foram para o espaço, dentre outras, as mil promessas do dia anterior, a de engordar menos com mais regime, de não comprar mais por crediário, de ajudar e pensar mais no próximo (e menos na próxima!), de diminuir a gastança, de não beber tanto e, concluindo, de nunca mais pronunciar um palavrão na frente das crianças. Puras mentiras, claro!
Isso sem contar que este 1º do Ano foi o primeiro dia dos novos prefeitos, estes que, mais que todos, ao longo de suas campanhas, fizeram promessas de todo tipo e jeito; tantas que muitos deles precisariam de, no mínimo, meia dúzia de gestões – e mais um pouco – para cumpri-las. Isso, sim, é pura verdade!
E, de verdade em verdade, mentira em mentira, tudo virou, então, um grande 1º de abril e não um 1º do Ano, o que, aliás, não é de estranhar muito, visto que, sabe-se, uma data se origina da outra:
O famoso Dia da Mentira (1º de abril), muito conhecido e comemorado no Brasil, surgiu na Europa em 1564, a partir da instituição do Calendário Gregoriano no lugar do Juliano.
Contam os historiadores especializados na vida dos calendários que antes era em 1º de abril que começava o ano, e não em 1º de Janeiro; e que os franceses, não aceitando a mudança, continuaram a comemorar a chegada do novo ano no nosso atual mês quatro, no que foram amplamente ridicularizados pelos outros povos.
A partir daí, então, eles passaram a receber presentes estranhos e muitos convites para festas que não existiam. E assim começou o costume de mentir no dia 1º de abril, moda que logo se espalhou pelo mundo.

