A liquidação do Will Bank, decretada pelo Banco Central, deixou milhões de clientes sem acesso ao saldo depositado na instituição. Sem prazo definido para reembolso, correntistas relatam dificuldades para pagar despesas básicas, como aluguel, alimentação e contas de luz.
A medida faz parte dos desdobramentos da liquidação do Banco Master, controlador do banco digital. Desde novembro, sete instituições ligadas ao grupo financeiro foram encerradas.
Clientes relatam bloqueio total dos valores
O Will Bank afirmava ter cerca de 12 milhões de clientes, sendo 60% no Nordeste, principalmente em cidades de pequeno porte.
Como funciona o reembolso na liquidação do Will Bank
O reembolso será dividido em duas frentes.
Investidores com CDBs, LCIs e LCAs estão cobertos pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por instituição. O fundo estima desembolsar cerca de R$ 6,3 bilhões no caso do Will Bank. Os pagamentos devem começar entre 30 e 60 dias após o envio da lista oficial de credores.
Já os clientes que mantinham recursos em contas de pagamento — modalidade oferecida pelo Will Bank — não têm cobertura do FGC.
Apesar disso, pela legislação, esses valores ficam separados do patrimônio da instituição e devem ser devolvidos integralmente aos titulares, sem limite por pessoa. O problema é que a restituição depende da conclusão da lista de credores pelo liquidante nomeado pelo Banco Central, o que ainda não ocorreu.
Segundo especialistas, não há prazo legal fechado para essa etapa. Em situações consideradas organizadas, a devolução costuma ocorrer entre 40 e 60 dias, mas o período pode variar conforme o tamanho da instituição e eventuais inconsistências contábeis.
O que é o Regime Especial de Administração Temporária (Raet)
Desde novembro de 2025, o Will Bank operava sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Nesse modelo, o Banco Central assume temporariamente o controle da instituição para tentar evitar agravamento da situação financeira.
Como não houve concretização de venda a um novo investidor e houve acúmulo de dívidas, o BC concluiu que não restavam alternativas viáveis de reestruturação, decretando a liquidação do Will Bank.
Dívidas continuam válidas
Mesmo com a liquidação, parcelas de empréstimos e faturas de cartão continuam válidas. Valores já lançados na fatura permanecem devidos e podem gerar cobrança de juros e eventual negativação.
As chaves PIX vinculadas ao banco foram desativadas. O aplicativo segue acessível apenas para consulta de saldos e valores pendentes, sem permitir movimentações.
O que os clientes podem fazer
Advogados orientam que os correntistas:
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Guardem extratos e comprovantes de saldo na data da liquidação;
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Acompanhem comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC;
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Informem conta em outra instituição quando solicitado para receber o reembolso.
Em casos de urgência financeira, é possível recorrer à Justiça. Ações individuais podem ser apresentadas quando houver demora excessiva ou falta de resposta por parte da administração da liquidação.
Enquanto o processo não avança, milhares de clientes aguardam a definição de um calendário oficial para recuperar o próprio dinheiro.
