O preço das passagens aéreas pode subir até 20% no Brasil após o reajuste no querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras. A estatal elevou em mais de 50% o valor médio do combustível vendido às distribuidoras a partir de abril, impactando diretamente os custos das companhias aéreas.
Especialistas do setor apontam que o aumento reflete a alta do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra no Oriente Médio.
Combustível representa quase metade dos custos
O querosene de aviação é um dos principais componentes de custo das companhias aéreas. Segundo especialistas, ele pode representar cerca de 45% das despesas operacionais.
Com a alta recente, o custo para transportar passageiros por quilômetro deve subir em torno de 20%.
“Como quase metade das despesas das companhias é com combustível, o impacto é direto na operação”, avalia o especialista Andre Castelini.
Repasses podem não ser imediatos
Apesar da pressão sobre os custos, o repasse para o consumidor pode ocorrer de forma gradual.
Isso depende de fatores como a taxa de ocupação dos voos e a estratégia comercial das companhias aéreas.
Em alguns casos, empresas podem optar por reduzir a oferta de voos menos rentáveis em vez de repassar integralmente o aumento ao passageiro.
Impacto pode reduzir demanda
De acordo com análises do setor, o aumento das passagens aéreas tende a impactar diretamente a demanda.
A estimativa é que uma alta de cerca de 15% nos preços possa provocar uma redução semelhante no número de passageiros, especialmente em viagens de lazer, que são mais sensíveis a preços.
Já no segmento corporativo, a variação costuma ser menor.
Setor alerta para “consequências severas”
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o reajuste pode gerar “consequências severas” para o setor.
Segundo a entidade, a alta do combustível pode afetar a criação de novas rotas e reduzir a oferta de voos, impactando a conectividade aérea no país.
Governo avalia medidas para conter impacto
Diante do cenário, o governo federal estuda alternativas para minimizar os efeitos do aumento.
Entre as propostas estão:
- Redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação
- Diminuição do IOF em operações financeiras das companhias
- Redução de impostos sobre leasing de aeronaves
Também está em análise a criação de uma linha de financiamento específica para compra de combustível.
Petrobras propõe parcelamento
Para amenizar o impacto imediato, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento.
Em abril, o aumento aplicado será equivalente a 18%, enquanto o restante será dividido em seis parcelas a partir de julho.
A medida busca reduzir a pressão sobre as companhias aéreas e evitar repasses abruptos aos consumidores.
