Silvana Lucas
Tubarão
É difícil passar despercebido pelas ruas da Cidade Azul um senhor de longas barbas brancas, que anda em uma bicicleta pintada nas cores amarelo e vermelho, decorada com vários adereços e duas bonecas na carona. Quem o vê não imagina que o tubaronense Manoel de Oliveira, de 57 anos, considera-se um poeta e artista.
“Faço barcos, navios, arranjo de flores, esculturas, enfim, trabalho com todo o tipo de riqueza que encontro nas margens do Rio Tubarão”, conta Manoel, Nelinho ou o Poeta Peregrino, alguns dos nomes nos quais é conhecido no município.
Para criar suas peças, Manoel usa cascas de árvores secas, ninhos de pássaros, sapatos, sementes e tudo que encontra pelo caminho. A proposta do artista de rua é levar a reflexão sobre a importância da reciclagem e ensinar, em um futuro próximo, andarilhos, mendigos e pessoas menos favorecidas a trabalharem com objetos descartados.
“Achei recentemente um bem-te-vi morto, tirei as penas e fiz um cocar, essa é minha arte, reciclar e transformar. Espero passar um pouco desta sensibilidade para outras pessoas”, diz, otimista, o artesão. Seus trabalhos podem ser vistos na garupa da bicicleta pelas ruas da cidade ou em exposições itinerantes.

